31 outubro 2010

TAF - Natação


Caros amigos e aspirantes a federais, aproveitando a idéia de inovação do blog, resolvi compartilhar com vocês minhas experiências treinando para o TAF.


Sou uma mulher baixa, tenho 1,65 e estou acima do peso. Isso quer dizer que preciso ralar para chegar onde quero.


Comecei tentando por conta própria, correndo na rua, saltando em casa e me pendurando na barra. Mas não estava dando muito certo. Não tinha piscina para fazer a natação e treinar a barra estava muito difícil.


Sendo assim, graças à ajuda e incentivo de um amigo/anjo, fui para a academia fazer o pacote completo. Como estou atolada com o trabalho, as viagens a trabalho e o cursinho, não tenho tanto tempo para treinar. Até janeiro terei que me contentar em treinar apenas duas vezes por semana. Mas como todo bom ansioso, faço jus à minha fama e tento fazer tudo ao mesmo tempo. Resultado: descobri que não dá.


Primeiramente vamos falar das aulas de natação, abordarei os outros testes noutro momento.
O teste de natação feminino exige que eu nade 50 metros em menos 51 segundos. Isso quer dizer que eu tenho que nadar uma piscina olímpica ída e volta em menos de 51 segundos. Agora se você for homem, terá de fazer o mesmo em menos de 41 segundos.
Para quem ainda não sabe o que isso quer dizer, ai vai uma dica. É P.H.O.D.A!


Comecei os teinos na academia, como tenho aulas no cursinho 3 noites por semana, pensei em fazer os exercícios com peso nos dias que não tenho aula e a natação nos dias de aula. Já que os treinos levam apenas 45 min, sairia do trabalho e faria antes do horário do cursinho. Lêdo engano caros amigos, lêdo engano.
Descobri que 45 minutos de treino nas mãos da Isis (professora de natação) são o melhor sonífero do planeta. Nunca dormi tão bem. Assim que acabou a aula, tomei um banho e rumei para casa. Outra coisa que descobri, é que essa aula vai me emagrecer por que nem comi depois que cheguei, fui direto para a cama e dormi das 21:00 às 08:20 do dia seguinte.
Foi tudo de bom, havia muito tempo que não dormia tanto e tão bem. 


Eu ainda preciso resolver como vou fazer para treinar um pouco de tudo antes de janeiro, mas a vocês caros amigos, aspirantes a APF, EPF, DPF e PPF, fica a dica: Não deixem para depois, comecem a treinar o quanto antes. O concurso esta mais que confirmado, amigos da PF já confirmaram que o pedido está no planejamento e as informações já circulam na intranet do DPF, por tanto, mãos à obra.


Bons estudos e bom treino a todos.

Hino da Polícia Federal

Para os fanáticos como eu, segue a letra do Hino e um vídeo com uma pequena amostra do que foi a formatura de 2009 na ANP, que é pra já ir treinando. Rsrsrs.
Letra do Hino da PF
ORGULHOSOS DE SER FEDERAIS
POLICIAIS DESSE IMENSO BRASIL
DEFENDENDO OS PRINCÍPIOS LEGAIS
INTEGRAMOS SUA VIDA CIVIL


SOMOS FORTES NA LINHA AVANÇADA
SEM DA LUTA OS EMBATES TEMER
QUE A CHAMADA DA PÁTRIA INSULTADA
SABEREMOS CUMPRIR COM O DEVER


NOSSO LEMA É SERVIR BEM SERVIDO
PRESERVANDO O DIREITO E A ORDEM
ESTE POVO FELIZ E AGUERRIDO
QUE ABJURA COM HORROR A DESORDEM


SOMOS FORTES NA LINHA AVANÇADA
SEM DA LUTA OS EMBATES TEMER
QUE A CHAMADA DA PÁTRIA INSULTADA
SABEREMOS CUMPRIR COM O DEVER


DEFENDENDO OS DIREITOS HUMANOS
PELA ORDEM EM ETERNA VIGÍLIA
CONTRA OS MAUS DIA E NOITE LUTAMOS
RESGUARDANDO A SAGRADA FAMÍLIA


SOMOS FORTES NA LINHA AVANÇADA
SEM DA LUTA OS EMBATES TEMER
QUE A CHAMADA DA PÁTRIA INSULTADA
SABEREMOS CUMPRIR COM O DEVER


Com a palavra o Ministro da Justiça.

À frente de um orçamento de R$ 2,8 bilhões – um dos principais entre os ministérios –, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, no cargo desde fevereiro, corre contra o tempo para implementar as propostas até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ritmo de trabalho não assusta o ministro, que saiu dos quadros técnicos do órgão e se tornou secretário-executivo antes de assumir a pasta. Nesta entrevista ao Última Instância, Barreto faz um balanço da atuação do Ministério da Justiça nos últimos oito anos, compara com a gestão anterior o tema da segurança pública durante os governos Lula e defende os avanços alcançados pela atual gestão.

Carioca, Barreto fala com entusiasmo da parceria entre governo federal e governo do Rio de Janeiro, que permitiu a pacificação de comunidades como o Morro Santa Marta, até pouco tempo símbolo do poder e da violência dos traficantes. Admirador da alta tecnologia, o ministro defende a modernização dos órgãos de segurança pública, com a compra de modernos equipamentos, uso da inteligência e qualificação profissional para melhorar a atuação das polícias brasileiras no combate ao crime organizado e ao narcotráfico. E aposta na integração – interna e com os países vizinhos - para alcançar esses objetivos.
  
Última Instância - O senhor será o último titular do Ministério da Justiça ao final de um período de oito anos de governo Lula, marcados pela pouca alternância na pasta. Imagino que essa estabilidade seja essencial para implementar políticas de segurança pública, que em geral demoram mais para dar resultados. O sr. poderia fazer um balanço do que foi realizado e quais as principais mudanças no ministério nesse período?

Luiz Paulo Barreto – É verdade. Entre 1995 e 2002, antes do presidente Lula, nove ministros da Justiça passaram pelo ministério com suas ideias, projetos e equipes. A cada mudança, o quadro tinha de ser recomposto, o que demorava em média dois meses, às vezes até mais. Por melhor que tenham sido os ministros que passaram pela pasta – vários muito bons, inclusive –, eles não tiveram tempo para implementar políticas que pudessem responder à sociedade quanto à segurança pública, sistema prisional, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Funai (Fundação Nacional do Índio), área do consumidor ou imigração.   

UI – Em que medida essa alternância dificultava as ações do ministério?

LPB – Faltava ao ministério uma continuidade de gestão que pudesse ao menos delimitar e trazer ao Brasil um projeto nacional. E as pesquisas de opinião mostraram que a segurança, nesse mesmo período, passou a se constituir em uma das maiores preocupações da sociedade, ao lado do emprego, educação e saúde. É preciso termos, em qualquer dessas áreas, políticas públicas consistentes, que sejam fruto de um debate com a sociedade, de uma aferição real do que existe em termos de necessidade e capacidade de resposta. Se há muita alternância em uma pasta como essa, existem teses que acabam se chocando. A cada mudança, os temas vinham em uma vertente diferente, deixando o corpo técnico do ministério muito desmotivado em investir em linhas tão diferentes dentro do mesmo governo. Isso fez com que depois de oito anos tivéssemos uma desestruturação institucional muito grande.

UI – E como essa desestruturação era percebida?

LPB – A Polícia Federal, por exemplo, tinha dificuldades econômicas muito sérias, como o efetivo reduzido, salários abaixo do que a categoria desejava e graves problemas de gestão: aviões e helicópteros parados por falta de combustível e manutenção, superintendências sendo despejadas por falta de pagamento do aluguel. A primeira gestão de Lula, sob a coordenação do ministro Márcio Thomaz Bastos, promoveu essa reconstrução institucional. Com relação à PF, no primeiro mês de governo o presidente autorizou concurso. A PF foi se reconstruindo nesses concursos e hoje tem um efetivo 51% maior do que em 2002. O orçamento triplicou nesse período, passando de R$ 338 milhões para R$ 930 milhões ao ano. Isso fez com que a PF tivesse uma reação institucional também, começando a investigar crimes de corrupção, a melhorar o combate ao narcotráfico, a fiscalizar melhor a fronteira e a fazer aquelas operações batizadas com vários nomes e que, pela primeira vez, começaram a colocar na cadeia políticos, empresários, policiais e até juízes. A PF reagiu nessa reconstrução e hoje é uma instituição motivada, que conta com o reconhecimento da sociedade como uma das instituições de maior credibilidade do Brasil, uma das melhores perícias do país e boa linha de investigação, a ponto de a sociedade dizer “bota a PF no caso que ela resolve”. Por quê? Porque hoje ela tem meios, equipamentos, tecnologia, profissionais preparados, tem aviões – são dois de transporte para operações especiais –, tem o Vant (Veículo Aéreo não-Tripulado), e uma série de elementos que possibilitam um trabalho muito forte em todo o país. 

O mesmo aconteceu com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), antes vista como uma polícia que ficava escondida nas estradas multando os motoristas. Ela passou a combater a exploração sexual infanto-juvenil nas estradas, o narcotráfico, a pirataria e o contrabando, mas também passou a socorrer as vítimas, em convênio com o Samu. Era uma polícia que tinha mais casos de corrupção e conseguimos mudar isso. Outro projeto da época de reconstrução das instituições foi a Força Nacional de Segurança Pública. Até 2003, tinha o dilema se o Exército devia ou não entrar no Rio. Tentava-se trazer para a segurança pública uma solução para a crise, e na crise se lembrava das Forças Armadas, mas elas não são treinadas para isso. Então o Ministério da Justiça criou a Força Nacional. Pensamos em um modelo que respeitasse o pacto federativo, trazendo capacitação aos policiais, equipando-os e permitindo que voltassem ao seu Estado como uma espécie de tropa de elite.

UI – Quais são os resultados da atuação da Força Nacional?

LPB - A Força atuou em 14 estados ajudando a melhorar o quadro de segurança pública nessas regiões. São mais de sete mil policiais capacitados e à disposição. Em Brasília, de prontidão, são 150. O governador de Alagoas telefonou dizendo que tinha muito crime na praia. Mandamos equipe para patrulhar a área. Depois ele disse que zerou a criminalidade no local. No Rio, nos Jogos Panamericanos, também foi bom. Nunca mais se falou em Exército nas ruas para ajudar na segurança. E temos ainda as operações como a Arco de Fogo, prendendo madeireiros ilegais, grileiros, reduzindo o desmatamento com a atuação da Força Nacional. O Ministério da Justiça não focou só nas cidades, mas também nas fronteiras, no crime ambiental. No Maranhão, a Força Nacional atuou na área prisional, durante uma greve de agentes penitenciários. Os governadores ficaram tão satisfeitos com a atuação da Força a ponto de quererem prorrogá-la sempre.



UI – Essa reconstrução institucional, como o sr. chama, chegou a outros órgãos além desses?

LPB - Outra área era a penitenciária, o Depen (Departamento Penitenciário Nacional). O ministério resolveu criar um projeto que ajudasse os Estados na melhor guarda dos detentos. Víamos presos dentro dos presídios estaduais fazendo o que queriam, operavam o crime com celular etc. Como esse sistema é estadual, nossa estratégia foi tirar da Lei de Execuções Penais, criada em 1984, um dispositivo que prevê a construção do Sistema Prisional Federal. O ministério teve a coragem de criar uma carreira de agente penitenciário federal, de construir quatro presídios, um em cada região – o quinto está sendo licitado agora –, e o Brasil tem hoje um sistema de presídios que age de maneira qualitativa, inteligente, que puxa dos Estados um preso que esteja liderando o crime organizado de dentro dos presídios, por exemplo. Se o Estado detecta que vai ter uma rebelião, tira o preso do sistema estadual e o manda para o sistema federal, que é duro, apesar de respeitar os direitos humanos. É um sistema que permite ao Estado a adequada custódia do indivíduo, por maior que se seja a periculosidade. Vemos em tempo real tudo o que se passa nos presídios, por meio de um sistema de monitoramento à distância.

UI – São quatro presídios cujos custos foram elevados. Foi uma decisão acertada construí-los?

LPB – Sem dúvida. Com a criação desse sistema e a retirada desses indivíduos dos Estados, conseguimos reduzir as rebeliões em 70%. Muitos criminosos perigosos conhecidos estão presos, e nunca houve fuga ou rebelião. O sistema federal desarticula o crime organizado.

UI – A oposição acusa o governo de partidarização das instituições públicas. Recentemente essa acusação recaiu sobre a Polícia Federal...

LPB – A nós não importa qual governador apoia o governo federal. Alagoas é governada pelo PSDB, onde atuou a Força Nacional. Posso garantir que o Ministério da Justiça não tem uma linha partidária. Temos hoje 174 municípios e 26 Estados que aderiram ao Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), incluindo São Paulo, apesar de não ter participado muito na questão da segurança pública. A Segurança Publica para nós é apartidária. Não estamos levando sob um viés político-eleitoral, mas sob um viés de necessidade da população brasileira. Mandamos equipamentos para monitorar ruas, ajudar a guarda municipal, a prefeitos de qualquer partido, inclusive da oposição. Em um evento do qual participei no Rio Grande do Sul para entregar equipamentos, prefeitos me agradeceram porque não esperavam ser assistidos por serem de partidos da oposição. Minas Gerais, por exemplo, é o grande parceiro do Pronasci em 2010 para receber recursos e é comandada pelo PSDB. Outros exemplos são o Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e muitos outros estados de oposição que têm uma boa parceria com o Pronasci.

UI – Em que medida a relação com São Paulo é problemática?

LPB - É uma questão política que deixou a cooperação entre o Ministério da Justiça com o Estado num patamar aquém do que poderia ser, apesar de termos avançado muito com a prefeitura de São Paulo, sob o comando do prefeito Gilberto Kassab. O ministério está ajudando no aparelhamento dos rádios da guarda municipal de São Paulo. São R$ 16 milhões para a compra de rádios. Mas o fato é que o Estado nunca mandou um policial para a Força Nacional ou um preso para o sistema federal. Podemos andar mais. Existe um problema sério nos presídios de São Paulo, que é o PCC (Primeiro Comando da Capital). E o sistema federal pode ajudar a desarticular o PCC. Da mesma forma que contivemos a operação de grandes criminosos no Rio, podemos ajudar São Paulo, como poderíamos ter ajudado em 2006, mas o governo de São Paulo não quis... [o ministro refere-se à onda de violência conduzida por integrantes do PCC contra a população de São Paulo. As ações criminosas tiveram início na noite de 12 de maio de 2006. Em menos de 24 horas, foram mais de 60 ataques contra delegacias, carros e bases das polícias Militar, Civil e da Guarda Metropolitana]

UI – O sr. defende mais investimentos em capacitação técnica e tecnologia. Enquanto isso, há segmentos da sociedade que defendem maior rigor nas leis para combater a criminalidade.

LPB - Temos que mudar o modelo policial brasileiro. Depois que o Ministério da Justiça fez tudo isso com nossas áreas – PF, PRF, sistema prisional –, vimos que era chegada a hora que compartilhar com os Estados uma política efetiva de segurança pública para melhorar o quadro de gerência. O Ministério da Justiça, sob a gestão de Tarso Genro, então criou o maior programa de investimento em segurança publica preventiva do país, o Pronasci, que prevê, junto com o Fundo de Segurança Pública, investimento anual de US$ 1 bilhão de segurança pública preventiva, levando aos Estados outro conceito: a coordenação entre programas de natureza social e preventiva com ações de repressão qualificada. A polícia não pode ser sempre violenta. Pode agir com força quando sofre uma ação violenta. Fora isso, precisa ser cautelosa. E para isso é preciso preparação policial e tecnologia.

UI – O Pronasci foi lançado em 2007 com entusiasmo pelo presidente Lula. Passados três anos do lançamento, o programa teve algum impacto sobre a segurança pública?

LPB - Antes o Ministério da Justiça tinha só o Fundo de Segurança Pública, que era mais usado para o reaparelhamento das polícias estaduais. O Pronasci veio com um suporte forte de recursos para a área preventiva. Conseguimos unir esses dois vetores de investimento em projetos inclusive como os da UPP – Unidade de Polícia Pacificadora, que nasceu do Pronasci e levou à pacificação em várias áreas do Rio onde inclusive se dizia que era impossível pacificar. O governador Sérgio Cabral comprou e desenvolveu a ideia, e a adaptou à realidade do Rio, fazendo um projeto que tem origem no Pronasci. Esse é um modelo de como o Estado pode intervir em uma zona afetada e levar a pacificação social àquela comunidade. Hoje podemos passear no morro Santa Marta. A comunidade está satisfeita.

UI – O sr. acredita que o que está acontecendo no Rio pode ser reproduzido em outras capitais?

LPB - Essa cena muito bacana que está sendo multiplicada no Rio pode ser levada a outros pontos do Brasil. Essa é a política do Pronasci de construção dos Territórios de Paz. Estamos aplicando em Pernambuco, no bairro Santo Amaro; em Salvador, no bairro Tancredo Neves; em São José dos Pinhais, perto de Curitiba; em São Bernardo... São 26 Territórios de Paz, que provocaram queda na criminalidade.

UI – Como funciona esse programa?

LPB - Você chega numa área dominada por traficantes e entrega luz, água, praça, centros de estudos, unidades de apoio, centro de treinamento de jovens... O Mulheres da Paz, por exemplo, é um programa de treinamento que capacita mulheres a identificarem jovens que podem entrar para o crime. Damos aulas, bolsa de R$ 100 para que eles possam se preparar, e começamos a disputar esses garotos com o crime, evitando que entrem na criminalidade. Um projeto de prevenção que tem despertado a atenção de outros países. O Brasil tem tido a oportunidade de mostrar a esses países como está sendo aplicado o Pronasci. O cenário do Rio chamou mais atenção do que o programa que foi aplicado em Bogotá ou Medellín.

UI – O sr. defende a integração como arma de combate ao crime. Como estão as conversas com os países vizinhos?

LPB – Estive no Paraguai na semana passada e conversei com autoridades para a criação de um acordo de cooperação em segurança pública. Um modelo novo que vai implicar operações conjuntas na fronteira. O Paraguai pediu o uso do Vant. O Brasil vai ser a primeira polícia do mundo a usar o Vant, e eles querem usá-lo pra monitorar plantações de maconha, rotas de tráfico e laboratórios de drogas, ao lado do Brasil. O Vant foi desconsiderado em parte pela oposição na campanha eleitoral, mas isso não corresponde à realidade, é fruto de total desinformação.
Fonte: Última Instância

29 outubro 2010

Segue a Tormenta...


A Polícia Federal (PF) identificou duas novas fraudes em concursos da própria instituição para os cargos de agente e escrivão em 2001 e delegado e agente em 2004. As irregularidades foram descobertas durante o desdobramento das investigações da Operação Tormenta, iniciada em junho. Durante a ação, a PF prendeu uma quadrilha especializada em fraudar concursos que atuava há 16 anos. Os gabaritos e respostas eram vendidos por até R$ 270 mil.

De acordo com a PF, sete policiais que ingressaram nos quadros da corporação depois de terem acesso antecipado ao gabarito das provas foram identificados por softwares desenvolvidos por investigadores da polícia. Todos foram indiciados por crime de estelionato, e um deles, que está preso, também por formação de quadrilha. Eles deverão responder a processo administrativo-disciplinar que pode resultar em demissão.

A PF informou que o sistema criado para investigação das fraudes foi usado para buscar irregularidades em 75 concursos. Até agora, 248 pessoas foram interrogadas. As investigações relativas a irregularidades no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Polícia Federal já foram concluídas e enviadas ao Poder Judiciário.

Ainda estão em andamento as investigações referentes a outros concursos, como o da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o da Receita Federal. Dez pessoas continuam presas. A PF espera encerrar os inquéritos até o fim do ano.

28 outubro 2010

Ultimas


O coordenador de recursos humanos da polícia federal, Delegado Jorgeval Costa, confirmou que está em análise no ministério do planejamento, orçamento e gestão - MPOG o pedido para abertura de concurso público para o preenchimento de, pelo menos, 1.236 vagas na corporação. 
Serão 150 oportunidades para delegado, 396 para agente de polícia, 328 para agente administrativo e 362 para escrivão. Há um pedido ainda para criação de vagas no cargo de papiloscopista, que consiste na coleta e análise de impressões digitais, cujo salário pode chegar a r$ 7.500,00 mil. 
A idéia é lançar um edital para a seleção de papiloscopista e agente de polícia, outro para escrivão e delegado e mais um para agente administrativo. Atualmente, a remuneração desta categoria gira em torno de R$ 2.500,00 mil, para jornada de trabalho de 40 horas semanais.
A última seleção para agente administrativo ocorreu em 2004. Foram ofertadas 1.433 vagas em todo o país e nomeados 1.717 candidatos, incluindo 122 portadores de necessidades especiais (para o cargo de Agente Administrativo, para os demais cargos não se admite pessoas com deficiência física).


Jogo de Xadrez



Ano eleitoral sempre foi período de tumulto em vários setores do pais, muitos por fazerem parte do jogo, outros se tornam peças fundamentais devido à sua atuação ou representação.
Nesse grande tabuleiro de xadrez a PF passou de peão para torre e, infelizmente, se tornou instrumento de campanha e política.
Durante o governo do PT "descobriu-se" a habilidade de investigação da PF. Não que ela não tivesse esse poder antes, mas o governo passou descobriu que esse poder poderia ser usado em benefício próprio. 


A Policia Federal é um órgão subordinado ao Ministério da Justiça e se conhecemos bem esse país, sabemos que isso quer dizer que alguém manda e alguém obedece. 
Agora façamos uma matemática simples, considerando não a nossa consciência ou noção de valores éticos, e sim a política no país que residimos. Primeiro as afirmações:


1 - Se o governo (federal ou local) é favor de determinada coisa ele apoia, se não é, arruma meios de vetar.
2 - A justiça pode até ser cega, mas fareja muito bem o cheiro do dinheiro, que há muito tempo é seu azimute.
3 - A policia Federal depende de repasse financeiro do governo para pagar as diárias, armas, munição, equipamento, material, estrutura e tudo que utiliza.
4 - O governo pode reduzir o dinheiro que entra na PF. Aliás, não só pode como o fez esse ano com um corte de mais de R$ 200 milhões da PF (Noticia).


Dito isso, convido vocês a uma leitura e um debate. 
Reportagem 1 - Contra a PF
Reportagem 2 - A versão do Delegado


Aos que leram as reportagens, ainda que pela metade, eu pergunto.


1 - O que há de absurdo um órgão prender bandidos, ainda que a maioria seja do partido da oposição. São bandidos da mesma maneira?
2 - Por que consideramos absurda a idéia de que uma polícia teme ir contra a mão que lhe alimenta?
3 - Se a ineficiência da PF é tanta, por que o Serra quer tanto transformá-la em um órgão menos capacitado? Será que ele teme que prendam mais políticos de reputação "ilibada"?
4 - Se a PF não faz o que diz fazer, por que os índices de apreensões e prisões cresceram tanto?
5 - Se o Lula é tão a favor da PF, por que não temos concurso há mais de  7 anos para a maioria dos cargos?
6 - Se o governo é tão tendencioso, por que cortou R$ 236 milhões do orçamento da PF justo em véspera de campanha, que é quando ela mais trabalha?
7 -  Por que a PF se tornou objeto de campanha se sua atuação é parca e desnecessária?
8 - Será que o tucano que escreveu a 1° reportagem já foi a Tabatinga ou a Costa Marques para saber o que a PF faz por lá?




Por fim, pergunto a todos, se PF é tão dispensável e questionável por que atua tão bem?


Se a PF é tão risível, por que é um dos órgãos mais cobiçados do pais?


A mim, pouco importa o que pensem ou o que digam. Meu sangue é negro e, em breve, a camisa também.

27 outubro 2010



A Polícia Federal (PF) informou, no último dia 22, que programa a abertura de 1.352 vagas nas áreas policial e administrativa do departamento, no ano que vem — ampliação de 180% na oferta até então esperada, que era de 480 oportunidades. Serão 1.024 chances somente para a atividade-fim.
Segundo a Assessoria de Imprensa da PF, foram encaminhados recentemente ao Ministério da Justiça pedidos para 116 vagas de papiloscopista, 396 de agente, 150 de delegado e 362 de escrivão. Até o fechamento desta edição, o Ministério da Justiça não havia informado se os pedidos já foram repassados ao Ministério do Planejamento, a quem cabe autorizar a abertura dos concursos.
A solicitação referente a papiloscopista é apenas uma atualização do pedido já em análise no Planejamento, desde o ano passado. O cargo está desde 2005 sem o ingresso de novos policiais. O objetivo da PF é justamente realizar em um primeiro momento os concursos para papiloscopista e para agente. Este último cargo, segundo afirmou o diretor de Gestão de Pessoal do departamento, delegado Joaquim Mesquita, é a grande demanda da corporação atualmente.
De acordo com as informações da Assessoria de Imprensa, a intenção é realizar os concursos para os dois cargos simultaneamente, e que o curso de formação, para ambos, aconteça ainda em 2011. Posteriormente, seriam realizados, também simultaneamente, as seleções para delegado e escrivão. Com isso, haveria duas rodadas de concursos, com 512 vagas cada, respeitando-se assim a capacidade da Academia Nacional de Polícia, onde é feita a formação dos novos policiais.
As demais vagas existentes para os cargos policiais, segundo a PF, serão objeto de novos pedidos, para formação nos anos subseqüentes. São aproximadamente duas mil vagas, incluindo o cargo de perito, que segundo as últimas informações divulgadas contava com pedido de concurso em elaboração, mas que ficará para outro momento.


Requisitos e vencimentos - Os cargos de agente, escrivão e papiloscopista apresentam como requisito básico o ensino superior completo, em qualquer área de formação. Para os três, os vencimentos iniciais são de R$7.514,33. No caso de delegado, a exigência é o bacharelado em Direito, e os vencimentos iniciais são de R$13.368,68. Em todos os casos, é exigida também a carteira de habilitação, na categoria B ou superior. Além dos vencimentos, os policiais contam com auxílio-alimentação, no valor de R$304.
É preciso iniciar os estudos desde já - Em concursos altamente concorridos e rigorosos como os da Polícia Federal o que os especialistas aconselham é que os interessados iniciem os estudos com bastante antecedência. E para isso, uma das principais orientações é tomar como base a última seleção realizada.
A dica é especialmente válida no caso da PF, pois são grandes as chances dos novos concursos para a área policial do departamento seguirem o modelo utilizado na seleção aberta no ano passado, para agente e escrivão. Os dois cargos são inclusive os que contarão com maior oferta de vagas nesta nova oportunidade, e o primeiro costuma ainda atrair um maior número de interessados, acirrando a disputa.
No último concurso, os candidatos foram submetidos, em uma primeira etapa, a provas objetiva e discursiva, ambas de caráter eliminatório e classificatório, e a avaliação psicológica, exame médico e exame de aptidão física, na seqüência, todos de caráter exclusivamente eliminatório. Para escrivão houve ainda prova de digitação. A segunda e última etapa correspondeu ao curso de formação.
A prova física é uma das fases que exige maior atenção dos candidatos, sendo responsável por um número elevado de eliminações. Na seleção do ano passado, os candidatos tiveram que passar por teste em barra fixa, de impulsão horizontal, de corrida de 12 minutos e teste de natação (50 metros).
Área de apoio: 328 vagas e R$3.203 - As outras 328 vagas que a PF planeja abrir em 2011 são para a área de apoio, no cargo de agente administrativo, que tem como requisito básico apenas o ensino médio completo e proporciona vencimentos iniciais de R$2.899,97. Entre os atrativos do cargo estão ainda o auxílio-alimentação, de R$304 - aumentando a remuneração inicial para R$3.203,97 ao mês -, e a estabilidade, proporcionada pela contratação pelo regime estatutário.
Assim como no caso de papiloscopista, o órgão encaminhou ao Ministério da Justiça uma atualização do pedido que já consta no Ministério do Planejamento. A solicitação anterior, que chegou à pasta responsável pela autorização em julho deste ano, era para 380 vagas, o que corresponderia ao total de posições ociosas na função. O motivo para a redução não foi informado.
O destaque maior, no entanto, é para o fato de que segundo a PF, o concurso será realizado imediatamente após a sua autorização - aumentando a necessidade dos interessados iniciarem o quanto antes a preparação -, com o ingresso dos aprovados acontecendo também de forma imediata, já que não há curso de formação para o cargo.
Inicialmente, a expectativa do departamento era de que o concurso para agente administrativo pudesse ser autorizado ainda este ano. Entretanto, atualmente, já admite-se que a autorização possa ser concedida somente após a transição do governo, que acontecerá no início do ano.


Fonte: Folha Dirigida


NOTA DA MARI:


Esse povo do Ministério da Justiça e da PF esta começando a me confundir. No ultimo pronunciamento deles, disseram que os pedidos de concurso para os cargos de Delegado e Perito estavam sendo elaborados e logo seriam enviados ao planejamento. Agora dizem que vão ser dois concursos uma para agente e papiloscopista e outro para delegado e escrivão. 
E o meu?? A nem...essa espera ta doida viu gente.
Mas boas noticias a todos os outros não é!


Vamo lá gente, aos que buscam essas vagas, muita força e determinação. A hora está próxima.


Bjo-bjo

Academia Nacional de Policia


Para os leitores que nunca entraram na Academia Nacional de Policia, ai vai uma pequena amostra do que nos espera.

A Academia Nacional de Policia fica em Brasília, fora do plano, no Lago Norte na Estrada Parque Contorno.  Para quem quiser ver ai vão as coordenadas para o Google Earth e Google Maps (-15.694494,-47.842852) ou o link Aqui. 

Entrada
O Curso de Formação Policial tem duração variável, o último (2010) foi de 4 meses, mas houve casos em que durasse 2 meses (2004) e 3 meses (2001).

Durante o curso de formação, tomando-se por base o último de 2010 (para APF e EPF), é mantido o regime de internato, onde não é permitido sair da academia entre as 06h00min de segunda feira e às 17h30min de Sábado. Após alguns meses de curso, passaram a abrir algumas exceções para jantar fora ou sair mais cedo no feriado, mas a regra era essa e, pelo que sei,
esse regimeserá mantido. Isso evita a cara de ressaca na sexta e/ou no sábado de manhã.
Dormitório Feminino

Os dormitórios masculinos e femininos são separados e, para desespero de alguns, não é permitido que os meninos acessem a ala feminina e vice versa.

Os quartos são, na maioria, para 4 ou 5 pessoas que devem compartilhar os armários, o banheiro e os beliches. Não é permitido colocar frigobar ou coisas do tipo no quarto, e maioria não tem ventilador ou ar condicionado.  A ordem dos quartos deve ser mantida em todo o tempo, sob risco de perder pontos em caso de inspeção. Os banheiros dos quartos têm mais de um chuveiro, mas apenas uma privada.
Vista do Quarto

Os colegas de sala e quarto são definidos por ordem alfabética. Cada turma tem um nome, um brado e um grito de guerra. Cada uma representa uma letra do alfabeto e os nomes que a turma coloca a partir disso, geralmente seguem o alfabeto fonético (Alfa, Beta, Charlie, Delta, Eco...), mas isso fica a critério da mesma. Também é a turma quem deverá elaborar os brados e o grito de guerra.

Ginásio
Como o CFP ainda é uma etapa do concurso todos os testes aplicados dentro da academia podem reprovar o candidato do certame. Apenas para salientar o óbvio, algumas avaliações e testes variam conforme o cargo, porém outras são iguais para todos eles. As provas de tiro, natação, corrida, salto, barra e direção defensiva são alguns exemplos.

A área da ANP tem ao todo 3,10 Km, e como puderam ver na imagem, tudo fica longe de tudo, portanto, preparem se para andar bastante.
Piscina

Os alojamentos e equipamento de tiro são por conta da ANP, no entanto, todo o resto como alimentação, uniformes e transporte é por conta do aluno. Para ajudar nessas despesas o aluno recebe 50% do salário referente ao cargo. Ajuda essa que, para desespero de todos, entra quase sempre atrasada.

As aulas ocorrem durante todo o dia. A jornada tem início às 07h00min com uma pausa de duas horas para o almoço, que se inicia ao meio dia e vai até as 14h00min. As aulas do dia se encerram entre as 17h30min e as 18h00min e o toque de recolher é ás 23h00min.

Sala de Televisão
As aulas de defesa pessoal incluem diversas artes marciais e tecnicas de imobilização. Durante o curso aprenderemos também a algemar e abordar corretamente as pessoas, atirar em movimento e utilizar técnicas letais de tiro. As aulas de natação incluem salvamento e resgate de vítimas, assim como resistência. Durante as aulas muitos filmes e fotos com relatos de operações e fatalidades serão exibidos.
A jornada como podem ver é exaustiva e intensa. Ao final do curso o pessoal já ta pirando. Mas tudo será recompensado aos que sabem ser, e aos que descobrirem ser, apaixonados pela a vida policial.


Quase esqueci de falar sobre o mural dos heróis. Nele estão gravados os nomes de todos os Policiais Federais que morreram na ativa. No restaurante há também as placas com os nomes dos formandos e as turmas da ANP de todos os cursos de formação desde que a PF surgiu.
Restaurante

Para encerrar este post, deixo vocês com a frase que ouvi ontem de um colega PRF.

“Ser policial é muito bom para quem precisa de nós. Para nós a vida é muito mais dura que imaginam.”

16 outubro 2010

Resultado de concurso - A saga

 Um breve post para expor meus momentos de angustia no dia de ontem, à espera do resultado do concurso para o MPU. Não estava preocupada com a aprovação, meu interesse era o desempenho na prova, tanto na parte específica quanto na geral.
Pois bem, chegado o dia marcado para sair o resultado (dia 8/10) havia no site da CESPE uma comunicado dizendo que fora adiada a data para a sexta feira última (15/10). Até ai tudo bem, nao gostei, mas tudo bem.

Chegado o dia marcado para o resultado, já devia ter gente dando F5 desde as 00:00 horas. O dia foi passando e nada do diabo do resultado sair.
Trabalhei, fui à academia, treinei, comi e voltei para casa.
19:30 e a porcaria do resultado NADA, mas agora o site tava travado. Claro que eu já tava no mínimo irritada. Entrei no correio WEB para saber se o travamento já era por conta do resultado ou não.

Aff...como detesto gente atoa na vida que fala que saiu o resultado, depois fala que não saiu.

Tomei banho. Finalmente o inferno do trem saiu, mas CLARO, Murf esta ao meu lado para me impedir de saciar minha curiosidade.

Gente que ódio desse site... Tava mais congestionado que a Marginal Tietê em horário de pico, num carregava por nada nesse mundo. Já tinha mais de uma hora que eu tava nessa saga para ver a *&($#¨@ do resultado e o adobe começou a abrir e emitir a seguinte mensagem "Falha ao carregar arquivo. Conexão com o servidor falhou"...O gente....eu já tava emputecida...tinha um aniversário pra ir então comecei a escolher a roupa enquanto esperava a página carregar (dinovo).

Roupa escolhida, falha na conexão. Fui escolher o sapato, falha na conexão. Me maquiei, falha na conexão.
Ai foi demais pra mim, fechei as telas, liguei pro taxi e fui para minha festa.
Lá pelas tantas da madrugada, quando cheguei, fui ver o tal resultado. Ai sim, foi tranquilo.
A minha redação nem chegou a ser corrigida, mas eu to feliz pq fiz mais de 70% de aproveitamento na prova, sem estudar muito para a dita cuja.

Me deu o ânimo a mais que eu precisava, mas já avisei aqui em casa:
"Quando for o dia do resultado da PF, me coloca em coma induzido e só me tira no dia seguinte. Quero viver pra saber se passei." Hahahahahahahah.

15 outubro 2010

Veículos Blindados

No âmbito do serviço policial há muitas utilidades para uma viatura blindada. O primeiro é o emprego de tais carros no controle de distúrbios civis. Viaturas blindadas são empregadas para conduzir e apoiar as frações de tropa empregadas na dissolução de manifestações, bem como plataforma para o emprego de armamento não letal como lançadores de gás, balas de borracha e canhões d´água. As viaturas blindadas também são úteis no patrulhamento e no combate ao crime, tanto que, nos últimos dois anos, países como Taiwan, Malásia, Indonésia, Grã-Bretanha e Austrália vem renovando suas frotas de veículos blindados.


O crescimento das metrópoles e a favelização de parcelas da área urbana vem criando verdadeiros “santuários” para a criminalidade, onde a força policial tem cada vez mais dificuldade de patrulhar. Quando de suas incursões em favelas, os policiais tem de progredir sob intenso fogo, necessitando, portanto do apoio de veículos blindados. Há tempos vinha considerando a impropriedade dos veículos blindados que se vem adquirindo para a Polícia carioca. O presente trabalho pretende, de forma breve, expor minhas considerações acerca do que, acredito seja o melhor para a nossa polícia permanentemente engajada numa luta árdua, em um cenário tático o qual, infelizmente, só tende a agravar-se.

A idéia de dotar o BOPE e os demais Batalhões de Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro de viaturas blindadas para transporte de policiais a áreas conflagradas é correta e irrepreensível, porém eu discuto se o modelo por nós adquirido seria realmente o mais adequado, quer em face das atuais necessidades, quer em face daquilo que se espera estar enfrentando em futuro próximo.

Não é interesse de este estudo execrar os gestores da segurança pública do Rio de Janeiro, até pelo reconhecimento de que, comprando os blindados eles estão fazendo algo em prol dos policiais e da sociedade; porém acredito que a crítica valha à pena, até para que, no Rio ou em outras unidades da federação, se possa aprender com tais experiências.

O desenho do carro, que está sendo adaptado para atuar em um cenário cada vez mais militarizado é inegavelmente “civil”. O carro adquirido até pode se constituir numa opção mais barata; porém, convenhamos; Às vezes o barato sai caro. Para mim está claro que deveríamos contar com dos tipos de viatura: uma blindada leve e ágil, do porte aproximado de um jipe (predominantemente para patrulhas ou eventualmente perseguição) e outra maior, esta sim destinada a – nas operações – levar uma fração de tropa equipada no interior de uma área conflagrada.

O desenho dos carros recentemente adquiridos, claramente adaptado de uma viatura de transporte de valores concebida para rodar apenas na cidade, não lhes permite uma mobilidade adequada em terrenos irregulares (mesmo os urbanos). Aparentemente o blindado não foi testado em condições severas. O veículo de transporte de valores blindado do qual ele se deriva não teria a necessidade de galgar meio-fios altos, romper barricadas ou subir ladeiras íngremes transportando um peso equivalente ao de uma dezena de policiais equipados.

h – a distância (altura) entre a carroceria e a superfície da pista de rodagem, na frente do carro;
x – distância entre a roda e a frente da carroceria, na frente do carro;
h´- distância (altura) da carroceria ao chão na traseira do carro;
x´- distância entre a roda e a traseira do carro

A partir do desenho constatamos que o carro – apelidado de “Caveirão” numa alusão ao símbolo da unidade de operações especiais da polícia carioca – terá muita dificuldade em subir um degrau, ou vencer, em altura, qualquer obstáculo dianteiro vertical. Para propósito de melhor mobilidade vê-se que a esmagadora maioria das viaturas blindadas de transporte de pessoal sobre rodas têm sua roda posicionada praticamente na extremidade da carroceria. Como exemplifica a combinação da distância x` com h`, o veículo arrastará a traseira sempre que for subir um meio fio de maior altura ou no caso de tentar galgar uma ladeira de maior inclinação (gradiente), terreno excepcionalmente comum nos morros cariocas. A mídia carioca já reportou de forma bastante jocosa, situação em que o carro blindado da polícia não teria conseguido subir uma ladeira! Pressuposto básico para uma viatura de transporte de tropa é ter mobilidade e a do nosso “novo” carro já demonstrou ser visivelmente comprometida, ou, na melhor da hipóteses, limitada

 Ouso opinar que desenho do antigo “Paladino” (foto), com sua altura relativa ao solo, posicionamento de rodas e blindagem inclinada, mesmo carecendo da torre, do conforto e de outras eventuais modificações, é ainda muito mais adequado que novo “Caveirão”

Embora o “Caveirão” conte com excelente visibilidade da área exterior, se deveria ter concebido “coberturas” para as janelas, a fim de serem abaixadas no caso de tiroteios intensos. Os vidros blindados são dimensionados para resistir ao impacto de um tiro de fuzil, porém todos sabemos que não são invulneráveis. Os criminosos sabem que podem provocar o colapso da blindagem dos vidros atingindo-os repetidamente num mesmo ponto (ou num ponto bem próximo), por isso a necessidade de contar com escudos para os vidros. Vale ressaltar que a substituição dos vidros é onerosa, principalmente levando em consideração nossos parcos orçamentos...



No caso dos vidros da posição do motorista (pára brisas e lateral), acreditamos que seja indispensável a colocação de uma tela metálica resistente à impactos de objetos. Embora os vidro sejam sabidamente blindados, para conduzir o veículo o motorista necessita que ele seja transparente. Se atingido por duas ou três pedradas (ou tijoladas) o vidro poderá ter sua translucidez comprometida e a dirigibilidade do carro será prejudicada. Um recurso alternativo simples e barato seria o de dotar o veículo de câmeras de circuito fechado de televisão (acondicionadas em abrigo blindado) em cada quadrante do carro, que permitissem uma visualização da área exterior.


Uma opção interessante para a progressão em áreas de risco consistiria em dotar o veículo de uma câmera de TV, com “zoom” e especialmente capacitada para operar em condições de baixa luminosidade, a qual ficaria afixada em um “shelter” blindado na extremidade de um braço telescópico. Uma vez na área conflagrada o veículo estenderia o braço telescópico e a Câmera permitiria fazer um preciso reconhecimento (em 360º) de toda a área circunvizinha. Uma vez que nem sempre a polícia pode coordenar o emprego da viatura blindada com o apoio de helicópteros, a partir de tal varredura visual, se poderia detectar o posicionamento dos criminosos e avaliar os melhores cursos de ação. 


Coberturas para os vidros estão bem visíveis no carro britânico HUMBER “PIG”, concebido inicialmente para uso militar e depois empregado para propósito de segurança interna por diversas polícias no mundo




A blindagem plana do “Caveirão” foi dimensionada para resistir a impacto dos fuzis calibre 7,62x51, 7,62x39, 223 Remington, mas aparentemente se desconsiderou que a criminalidade poderá vir a usar calibres mais potentes como o .306 perfurante (“trinta zero meia”) e até mesmo o .50”. Quando da seleção do carro se deveria ter atentado para a capacidade do mesmo em fazer frente ao recrudescimento das ameaças da criminalidade num futuro breve, porém previsível. Vale ressaltar que originalmente o “Caveirão” não contava com pneus à prova de bala e – diferentemente dos veículos militares de transporte de tropas – o fundo de seu casco não era resistente a projéteis ou estilhaços.


Pela limitações de mobilidade de carros como o “Caveirão” e a necessidade proteção, advogo francamente a favor de empregar veículos militares adaptados como uma solução de custo mais ainda mais baixo. A blindagem mais resistente e a mobilidade visivelmente maior tende a se constituir numa proteção mais efetiva para os policiais em operação. Diversas forças policiais do mundo inteiro optaram por adaptar modelos militares ou empregar viaturas militares compradas de “segunda mão” como as fotos demonstram. Há mesmo cidades americanas cujas polícias utilizam veículos de lagarta como o M-59 e o M-113.

Acima o veículo britânico SIMBA da GKN/Alvis, produzido localmente nas Filipinas.
Versão policial/anti-distúrbios, exportada para o Golfo Pérsico.







Uma grande quantidade de veículos britânicos ALVIS SARRACEN, descartados do exército britânico, encontrou emprego como viaturas policiais na Irlanda, península arábica e também nos Estados Unidos

Em face do risco de emprego pela criminalidade de lançadores de foguetes anti-tanque como o M-72 – recurso dos quais os criminosos dispõe e apenas por sorte não foi usado contra a polícia até hoje – a estrutura do carro, bem como seu grupo propulsor e suspensão, deve permitir a colocação de uma blindagem do tipo “gaiola” sem acarretar uma significativa degradação da performance. A referida proteção detona as granadas anti-tanque de carga oca (HEAT) antes delas poderem chegar à carroceria do carro, garantindo maiores chances de sobrevivência para o veículo e seus ocupantes.



Há diversas soluções que mereciam ser melhor estudadas antes de se buscar comprar o “Caveirão”. A necessidade de adquirir veículos para outras polícias estaduais talvez permitisse uma economia de escala que justificasse um novo projeto nacional, mais adequado que o do presente veículo. A padronização de modelos das frotas é algo difícil mas está contemplada dentre as prioridades estudadas pela SENASP. Outros Estados certamente vão necessitar adquirir carros blindados para suas polícias em futuro próximo. Países como as Filipinas e a antiga Rodésia (atual Zimbábue), com muito menos capacidade industrial que o Brasil, produzem (no caso das Filipinas) ou produziram (no caso da antiga colônia africana britânica) veículos de características muito interessantes.


Necessitando de uma grande quantidade de veículos para as Forças Armadas e a Polícia, as Filipinas produzem localmente o KÀLAKIAN




Veículos como o CROCODILE (esq.) e o PIG (acima) foram produzidos na Rodésia durante os anos 70, a partir de chassis de caminhões. Atente-se para a blindagem com boa inclinação.

A importação de veículos é uma possibilidade, embora particularmente não disponha de dados acerca dos impostos ou certificações necessárias para a eventual aquisição desses veículos importados pelo Brasil. Apenas para que se tenha uma idéia, um Alvis SARRACEN completamente reformado, de 2ª mão, nos Estados Unidos custaria cerca de US$26.000,000 (vinte seis mil dólares). Duas possibilidades de adoção seriam as viaturas sul-africanas como a CASPIR, adotadas também em larga escala pela Índia, ou as britânicas SAXON, especialmente projetadas para operar em terrenos difíceis, proporcionando à tropa uma total proteção contra armas leves e minas anti-veículo. 



Uma grande quantidade de CASSPIR foi também produzida na Índia






A solução à favor da qual advogo, consistiria em gestionar junto ao Ministério da Defesa a cessão de algumas viaturas blindadas URUTU da antiga ENGESA, ou tentar adquiri-las, de segunda-mão, junto à países latino americanos. O exército brasileiro dispõe de centenas desses carros. Caso os veículos não estejam em bom estado, a “reforma” dos mesmos poderá ser executada em parceria com as Forças Armadas a um custo menor. A idéia de optar pelo veículo da ENGESA deve-se somente às premissas de custo benefício do emprego do mesmo. Há carros igualmente bem blindados e mais leves (com dois eixos); há carros que transportam mais homens (o URUTU leva até dez soldados equipados); há outros veículos anfíbios...mas nenhum deles tão amplamente difundido no Brasil... Sinceramente, não creio que precisássemos pensar muito!?
O antigo carro nacional teria inegáveis vantagens sobre o atual “Caveirão”:
a) Blindagem resistente a impactos de armas até o calibre .50” praticamente sobre quaisquer ângulos;
b) Possibilidade de dotar-se o carro de uma torre blindada ou de escudos para o comandante;
c) Os carros já vem de fábrica com pneus blindados;
d) Extrema solidez estrutural, capaz de facilmente receber a blindagem tipo gaiola;
e) Dimensões comparáveis ao “Caveirão”
f) Mobilidade infinitamente superior (vide foto);
g) Capacidade anfíbia, a qual poderá ser muito útil em casos de calamidade pública, produzindo uma imagem bastante favorável da força policial junto à população;
h) Robustez superior do veículo;
i) Amplo “know-how” para a  repotencialização e manutenção das Forças Armadas;
j) Possibilidade de contar com ampla rede de sobressalentes e manutenção de custo baixo;
k) Possibilidade de receber ar condicionado.

No patamar dos “blindados leves” aos quais me referi inicialmente há uma grande possibilidade de escolha de carros. O custo unitário de tais veículos novos – tanto no exterior, quanto no Brasil – poderia eventualmente vir a superar o dos URUTUS de 2ª mão; mas novamente a economia de escala poderia favorecer-nos com encomendas que atendessem a vários Estados. Imagino que os “blindados leves” seriam empregados como PATAMOS, dissuadindo pela presença ostensiva enquanto pré-posicionadas em locais de risco e explorando sua velocidade e agilidade em contra-ataques limitados. Há projetos de veículos na categoria proposta desenvolvidos pela indústria nacional, como o da INBRAFILTRO.


O novo blindado leve brasileiro da INBRAFILTRO
capaz de conduzir confortavelmente 5 policiais

Poder-se-ia optar por jipes blindados como o SHORLAND (sobre chassis da Land Rover), os Jipes blindados israelenses (com chassis Jeep/Ford), ou o HUMMER americano. Tais veículos também são encontrados no mercado de “segunda-mão” e sua blindagem poderia ser recondicionada no Brasil, sem problemas.


Carros como o Shorland, da Short Brothers sobre chassis Land Rover, ou jipes blindados como os israelenses (à direita) podem ser opções válidas.

Quando se fala na adoção de material para uso militar ou policial, ninguém deve arrogar-se “dono da verdade” pois é comum que equipamentos cujo projeto apresentava características admiráveis venha a demonstrar suas fraquezas no campo, muitas vezes comprometendo quase que irremediavelmente seu emprego. Nem sempre o que funciona bem na prancheta (ou no CAD) vai comportar-se na situação crítica real da forma que o usuário gostaria ou necessita. No Iraque, os americanos estão aplicando sobre-blindagens aos seus HUMMER e caminhões, na esperança de conferir maiores chances de sobrevivência aos veículos e suas tripulações.

Confrontando-se com uma criminalidade cada vez mais ousada e bem armada e que detém recursos financeiros praticamente ilimitados, necessitamos de veículos blindados que nos permitam não somente confrontar as ameaças atuais, mas também proteger nossos policiais em face daquilo que os criminosos possam estar empregando contra eles amanhã ou depois.  

ã by Vinicius Domingues Cavalcante 2004.

VINICIUS DOMINGUES CAVALCANTE, CPP, o autor, é profissional de segurança certificado pela American Society for Industrial Security e integra a Diretoria de Segurança da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Graduando em Gestão da Segurança pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, detém diversos cursos na área de planejamento de segurança e segurança pessoal de executivos e autoridades. Foi instrutor convidado no Estágio de Técnicas de Abordagem da PMERJ. Colaborador atuante em publicações especializadas em segurança como as revistas PROTEGER (Editora Magnum Ltda/ SP),  SECURITY (Editora CIPA/SP) , SEGURANÇA PRIVADA (do Sindicato das Empresas de Segurança do Rio de Janeiro), SESVESP (do Sindicato das Empresas de Segurança do Estado de São Paulo), JORNAL DA SEGURANÇA (C-4 EDITORA/SP), SEGURIDAD LATINA (INTERTEC PUBLISHING/U.S.A.) e GLOBAL ENFORCEMENT REVIEW, nos portais “on-line” FIREPOWER (http://www.firepower.cjb.net), SEGURED.COM (http://www.segured.com) FORO DE SEGURIDAD (www.forodeseguridad.com). Possui artigos sobre segurança publicados no Jornal O GLOBO, bem como teve trabalhos sobre inteligência e segurança exibido na “Home Page” da ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Membro da Associação dos Técnicos de Segurança Patrimonial do Brasil , da Associação dos Diplomados em Gestão da Segurança, da International Association of Counterterrorist and Security Professionals e do Instituto de Defesa Nacional (IDEN).