23 fevereiro 2011

Um Policial Federal SÓ não faz serão!

Em pleno Rio Solimões, corredor para entrada de drogas no Brasil, no município de Santo Antônio do Içá, a mil quilômetros de Manaus (AM), a Base Garateia, da Polícia Federal, está quase ao abandono.
Na última semana, apenas um policial federal estava em serviço na base que, pelo menos em tese, deveria ser um ponto de contenção da rota de drogas, provenientes principalmente do Peru.
 Números obtidos pela Federação Nacional dos Policiais Federais mostram que 40% do crack consumido no Brasil é trazido do Peru, pela Amazônia. Quadrilhas de traficantes têm no Rio Solimões uma rota para droga que irá abastecer os grandes centros urbanos do país. Calcula-se que hoje já são cerca de 1,8 milhão de brasileiros usuários da droga, o que permite estimar o volume de consumo diário próximo de 4 toneladas de crack. Por este cálculo, todos os dias, quase 2 toneladas de crack passariam pelos rios e estradas da Amazônia.
 Há anos, sucessivas direções da PF têm colocado em segundo plano a repressão ao tráfico de drogas nas fronteiras do país, em prol de uma política que prioriza as chamada grandes operações com repercussão garantida na mídia. Contudo, em muitos casos, com pouca eficácia do ponto de vista da condenação de acusados.
Placa de Parada Obrigatória - Base de Garatéia
 O descaso com a contenção do tráfico de drogas nas fronteiras é tão grave que a “Operação Cobra”, que por muito tempo foi a principal ação coordenada dos federais, na Região Norte, contra os traficantes hoje está parada. Em Tabatinga (AM), que foi uma das principais bases da “Cobra”, hoje a única referência visível à operação policial permanente é uma placa jogada em um depósito de sucata. 
Placa da Operação Cobra no lixo
 Sem colocar em prática ações de combate ao tráfico, a Polícia Federal trata sua própria estrutura com descaso. A Base Garateia é um exemplo concreto.
Construída para substituir a Base Anzol, fechada por falta de condições mínimas de trabalho para os policiais, a Garateia conta com um único policial federal, que não pode fazer praticamente nada sozinho, ao longo das centenas de quilômetros de rio. Com ele, apenas mais três policiais militares também tentam fazer frente ao crime. Igualmente, o número de policiais é inexpressivo diante do desafio de barrar traficantes e guerrilheiros das Farc, que não raro invadem o território brasileiro.
Base de Tabatinga (vulgo Tababomba)
 Mesmo que quisesse pegar sua pistola Glock e um fuzil e sair feito um Rambo, pelo Rio Solimões ou pelo labirinto de igarapés na imensidão da Floresta Amazônica, à caça de traficantes, o policial federal teria que usar uma embarcação que não oferece nenhuma condição de trabalho e segurança.
Policia Militar - AM
 As duas únicas lanchas ancoradas na base foram apreendidas e não estão adaptadas para o trabalho policial. Além disso, não há coletes balísticos, nem coletes salva-vidas, muito menos telefone celular ou rádio, que permita contato permanente entre o policial e a delegacia da PF mais próxima, em Tabatinga, distante a cerca de 9 horas de barco da base.
No mesmo estado do Amazonas, há três meses, quando usavam uma embarcação bem parecida com as que estão na Base Garateia, dois policiais federais foram mortos e um ferido por traficantes de cocaína.
Na última segunda-feira, dia 21, a presidenta Dilma Rousseff voltou a reforçar a necessidade de um combate efetivo ao tráfico de drogas nas fronteiras. A presidente ressaltou que o “Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas” prevê a ampliação do combate ao tráfico, especialmente nas fronteiras do país. “Vamos atrás do traficante internacional e, ao mesmo tempo, vamos agir para acabar com o pequeno tráfico”, disse.
Há quase uma década, a Federação Nacional dos Policiais Federais vem alertando para a necessidade do fortalecimento da Polícia Federal nas fronteiras do Brasil para o efetivo combate ao tráfico de drogas, de armas e outros crimes. No ano passado, os policiais propuseram a criação do cargo de Oficial de Polícia Federal para a execução do papel de polícia administrativa e coordenação das operações de combate ao crime.
“A cada vez que vamos a Amazônia visitar nossos colegas, em delegacias e bases da PF, nos deparamos com uma situação pior”, revela Francisco Sabino, Diretor de Relações do Trabalho da Fenapef. Ele ressalta que o sucateamento da Polícia Federal na Amazônia é evidente. “Não temos efetivo, não temos equipamentos adequados, não temos política de combate aos traficantes. Hoje o enfrentamento ao crime só acontece em razão do voluntarismo e bravura dos federais”, diz.
Flagrante de Crime Ambiental - Castanheira Imune a corte
Sabino lembra que o último diretor geral da PF, o delegado Luiz Fernando Correa, elegeu a Amazônia como uma de suas prioridades. “Desde então, bases foram desativadas, equipamentos estão sucateados, colegas perderam a vida e os traficantes de drogas avançam. Imagine se a Amazônia não fosse prioridade?”, questiona Sabino.

NOTA DA MARI:
Vale lembrar que:
1º - Tabatinga é na triplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Colômbia. 
2º - Todas as bases supracitadas estão no Norte, logo É PRA LÁ QUE VAMOS QUANDO PASSAR.
3º - Os postos avançados são aqueles nos lugares mais esquecidos por Deus como Tabatinga (Tababomba), Oiapoque (Oiapocalipse), Óbidus (Obdusidos), São Gabriel da Cachoeria, entre outros. 


Resumindo...é SELVA! E nesse caso, não é heróico.
Como diz uma frase que vi: Não é necessário vestir a farda pra ser herói, mas precisa ser um herói pra vestir a farda.


Abçs!

4 comentários:

  1. Realmente é triste ver uma instituição tão bem conceituada, num descaso tão grande. A própria Presidente sabe da importância do combate ao tráfico nessas fronteiras.
    Após a morte dos APFs Lobo e Matsunaga imaginei que algo seria feito visando melhorar as condições, mas até agora parece que não houve muita mudança.
    Enquanto nesse país não se der o devido valor ao que é realmente importante, vai ser difícil crescer.
    Mas sempre tenho fé que as coisas vão melhorar!

    bjoo

    ResponderExcluir
  2. Sou preocupado com a Policia em Geral, porém não perco o juízo em profecias prevendo o fim dos tempos, como forma de terrorismo a nos culpar por vivermos mais e melhor como jamais a história foi capaz de registrar. Do mesmo modo, não há ninguém que me justifique cair de quatro, igual aos profetas, para comer capim, em defesa do meio ambiente.

    ResponderExcluir
  3. Fedral vc falou tudo.
    Infelizmente os líderes desse país estão mais preocupados em gastar o dinheiro dos cofres públicos contruindo estádios para a copa.

    Segurança pública não é a prioridade do momento.
    Mas vai mudar...

    Abçs

    ResponderExcluir
  4. Sampaio não sei se entendi o que está querendo dizer. Me parece que está defendendo o perfil da exploração desmedida como forma de manter os estilo de vida tão avançado que temos.

    A questão é que:
    - 1° ninguém está questionando isso aqui, o post fala do descaso com a policia e a segurança pública, que se reflete em crimes diversos, dentre eles, os ambientais.
    - 2° não precisamos deixar de evoluir para ter conforto.

    Quanto a sua colocação sobre comer capim....defendo o meio ambiente sempre, mas ciente de que isso não precisa impedir o desenvolvimento. O que não é aceitável é usar, gastar e devastar do modo desmedido e descontrolado que é feito, até por que, é ilegal fazê-lo.

    Abçs!

    ResponderExcluir