06 janeiro 2011

A Necessária Experiência para a Policia Federal


“O secretário Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Benincá Beltrame, deu nos últimos 4 anos uma notável demonstração de força. Desde que assumiu o cargo, Beltrame se notabilizou por colocar em prática iniciativas que causaram estragos em áreas em geral blindadas contra o poder do Estado. A primeira grande obra de Beltrame foi o combate à corrupção policial, que culminou na expulsão de 850 policiais. Outra importante marca de sua gestão foi a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que melhoraram significativamente a vida dos moradores das favelas. Por fim, ele é o homem que coordenou as operações que acabaram por enfraquecer as quadrilhas de traficantes que dominam as comunidades pobres do Rio de Janeiro.” - Revista Isto é

“Vem daí, provavelmente, um terceiro e poderoso ente que acompanhou a polícia na operação desta quinta-feira no Complexo da Penha: a opinião pública. Beltrame comandou a política que foi capaz de transformar favelas – históricos ‘telhados de vidro’ dos governantes – em objeto de propaganda eleitoral do governador Sérgio Cabral. O fenômeno de aprovação popular ganhou proporções inimagináveis, por exemplo, quando a popstar Madonna quis conhecer o Morro Dona Marta, em Botafogo, local da primeira UPP.” - Revista Veja

 Ao ler os textos acima, publicados nas duas maiores revistas do país, onde o colega Benincá (como é chamado pelos amigos na PF), é elogiado pelo brilhante e inusitado trabalho que coordena contra os traficantes no Rio de Janeiro, não pude deixar de me perguntar:

 Por que o Benincá reúne tantos bons atributos e conhecimentos profissionais para comandar com sucesso a Polícia Civil e Militar do RJ?

 Onde teria angariado essa “bagagem” toda para ter tranqüilidade operacional e capacidade para fazer com sucesso o que está fazendo?

 Para responder essas perguntas poderia perguntar ao próprio Benincá, mas preferi entrevistar alguns amigos que iniciaram a carreira na Polícia Federal com ele, e assim consegui saber o seguinte:


José Mariano Benincá Beltrame ingressou na Polícia Federal em 1981, como Agente de Polícia Federal. Nesse cargo participou ativamente de grandes operações contra o narcotráfico e outros delitos federais, sempre se destacando em todos os lugares que trabalhou. 
Como Agente Federal foi destacado para várias missões pelo interior do país, além das que desenvolvia em Santa Maria, onde nasceu, criou-se, formou-se e trabalhou, sempre como agente.
 
 De lá, era destacado para missões em outras regiões, principalmente no Norte do país. Em Porto Alegre, para onde foi removido ainda como Agente de Polícia Federal, ajudou a desenvolver um sofisticado sistema de escutas telefônicas, conhecido atualmente como “Guardião”.

Ainda como Agente da PF, Beltrame chegou à Missão Suporte no RJ, em 2003, quando começou a conhecer mais a fundo o que hoje combate: o crime organizado. À época, ele foi o chefe operacional da base da PF e, ao sair, foi da Polícia Criminal Internacional (Interpol) e chefe da área de inteligência da Superintendência da PF no Rio.


Analisando a brilhante carreira do Policial Federal Benincá podemos fazer uma constatação que muitos.

 José Mariano Benincá Beltrame foi Agente de Polícia Federal por 23 anos (de 1981 a 2004) e nesse cargo ocupou funções onde pode comandar operações estratégicas dificílimas e de grandes complexidades.

Repito. Durante 23 anos foi um policial federal brilhante e respeitado por todos, exercendo o cargo de Agente de Polícia Federal, sendo que após terminar o curso de delegado ainda iria ficar sub-judice, por interpretação legal errônea, por parte dos chefes da Polícia Federal na época.

Agora eu pergunto:

Será que a capacidade e experiência profissional que ele está demonstrando ter, no elogiável comando da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, foi adquirida de repente, em um cursinho com três meses de duração?


Qualquer pessoa que não seja corporativista e que não tenha medo de concorrência na carreira, admite que o Beltrame, assim como milhares de agentes espalhados pelo Brasil, com a mesma experiência, são capazes de assumir qualquer cargo na segurança pública brasileira, tanto em nível estadual, municipal ou federal.

Aos poucos e com muita luta a FENAPEF- Federação Nacional dos Policiais Federais tem demonstrado para todas as autoridades dos três poderes dos Estados, Municípios e União, que vale muito mais para o serviço público um Polícia Federal experiente do que um que nunca comandou sequer uma pessoa, e que nunca participou de uma operação policial de verdade.


Por essas e outras existe um questionamento que requer a modificação da carreira policial federal, onde a MERITOCRACIA seja o único caminho para postos de chefias e comando, e não um curso “Walita”, onde professores igualmente sem experiência, tentam “ensinar” em dias o que somente se aprenderá em anos.

Não se pode mais aceitar que um “garoto”, que nunca trabalhou na vida em nenhuma função policial, passe a ser chefe do dia para a noite, inclusive (e especialmente) em locais perigosos nas fronteiras brasileiras. Um alguém sem o menor treinamento ou conhecimento prático que muitas vezes sequer sabe para que servem alguns equipamentos táticos. 

Sobre isso, o Chefe de Polícia de Los Angeles e New York, William Bratton, famoso por implantar com sucesso o Projeto Tolerância Zero, deu a seguinte entrevista para a Revista Veja, onde falou sobre a carreira policial existente no Brasil:


"Vocês têm uma divisão na Polícia Militar em que os policiais são de uma classe social diferente da dos oficiais. Os soldados não podem chegar ao topo. E os policiais civis e investigadores estaduais e até os federais são uma outra classe. Os delegados são advogados. É um sistema extraordinariamente complexo, que não tem a equidade existente na polícia dos Estados Unidos. Eu comecei minha carreira como policial. No Brasil, seria um soldado de polícia. Jamais conseguiria ascender ao cargo de oficial e, depois, ao de chefe de polícia. Seria no máximo capitão ou major. Eu teria de ir a uma faculdade de direito para me tornar delegado. Em meu departamento, todo investigador ou agente pode chegar ao posto mais alto da carreira policial. Não ter chance de ascender é algo desestimulante em qualquer carreira. Não haveria por que ser diferente na polícia."

Se não for modificada a metodologia de se alcançar cargos de comando na segurança pública, continuaremos a ter o caos existente hoje em todas as polícias do Brasil.

Fonte: Blog do Garisto

NOTA DA MARI:

Modifiquei algumas coisas dessa reportagem pois era uma afronta direta aos delegados da Policia Federal e, por mais que concorde com o que postei acima, não quero entrar em disputas de ego ou pormenores, por tanto, retirei alguns comentário. Indico a todos que leiam o Blog do Garisto.

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