11 janeiro 2011

Do outro lado da Fronteira


A Polícia Federal (PF) vai promover “campanhas de erradicação” de pés de coca na Bolívia nos moldes do que foi feito no Paraguai com a maconha. A proposta faz parte do acordo de cooperação entre os governos brasileiro e boliviano no combate ao tráfico de drogas. A meta é aumentar a fiscalização nas fronteiras com a Operação Sentinela — que prevê, desde 2009, ações conjuntas nessas regiões entre a PF, a Força Nacional, a Receita Federal, as Forças Armadas, a Polícia Rodoviária Federal e as policias estaduais — e ainda financiar investimentos em recursos humanos e em tecnologia no país. A PF analisa, inclusive, o uso dos veículos aéreos não tripulados, chamados de Vants, nos países fronteiriços.

O controle das fronteiras é prioridade do novo governo. A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendem a vigilância na área e o uso dos sistemas de vigilância integrada como forma de reduzir as estatísticas de violência urbana. O Brasil tem mais de 8 mil quilômetros de fronteira seca. Grande parte das drogas e das armas contrabandeadas que chegam ao país entra por esses pontos.

O último balanço da Operação Sentinela revela que, no ano passado, pelo menos 2 toneladas de pasta base de cocaína e mais de 57 toneladas de maconha foram apreendidas nessas áreas. Foram cumpridos 270 mandados de prisão e 1.880 pessoas presas em flagrante (veja quadro). O caso mais recente foi o do traficante Maximiliano Dorado Munhoz Filho, o Max, preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e entregue às autoridades brasileiras. Condenado em Rondônia por tráfico e suspeito de matar um agente penitenciário, Max foi preso em uma ação coordenada entre a PF e a Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELC) boliviana.

A articulação entre os países intensificou-se nos últimos anos e agora abrange áreas de logística, investigação e até mesmo orientações legislativas. “Toda ação tem dois pontos fundamentais: impedir que produtos ilícitos entrem no país e que as riquezas saiam”, explica o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Roberto Troncon. Segundo ele, a responsabilidade no combate ao narcotráfico é compartilhada. “Não há mercado sem oferta e sem demanda.”

Novos acordos

O resultado nas operações conjuntas no Paraguai atraiu a atenção de outros países vizinhos. Foram reduzidos cerca de 900 hectares de plantação de maconha no país. A estimativa é de que aproximadamente três toneladas da droga deixaram de circular. Cerca de 80% tinham como destino o Brasil. Na parceria, os investimentos brasileiros giram em torno de R$ 700 mil.

A fiscalização nas fronteiras do Brasil com a Argentina e o Uruguai será intensificada com a assinatura, nos próximos meses, de acordos de cooperação internacional. O modelo é igual ao assinado com a Bolívia, o Paraguai e o Peru. Porém, algumas especificidades serão levadas em consideração, como o roubo de gado no Rio Grande do Sul. O Equador também demonstrou interesse em acordos de cooperação com o Brasil.

Fonte: Correio Braziliense

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