03 janeiro 2011

A AMAZÔNIA

Conforme o prometido...segue um pequeno relato de minha viagem à Amazônia.

Após um atraso de 2 horas e de longas 3 horas de vôo, vi a placa: Sejam bem vindos a Carajás - PA. O avião da Trip desceu em plena FLONA (Floresta Nacional) e após um pouso fantástico em meio à muita neblina e chuva, eu, outros 2 biólogos, 1 geóloga, 1 geógrafa e 2 analistas de solo estávamos na Amazônia Legal. 



Foi uma viagem fantástica, me senti no Globo Reporter. Ao desembarcar no aeroporto já era possível perceber a diferença entre a fauna da Amazônia e a fauna dos demais lugares. Lá tudo é muito grande. As mil mariposas que estavam cobrindo as paredes do banheiro do aeroporto eram todas classificas entre grande e gigantes rsrsrs. Também classifiquei como gigantes o escaravelho e o louva-deus que vi numa palmeira na entrada, enquanto esperava o carro. Para não dizer que é exagero, segue abaixo uma foto tirada do zoológico, na 1° ida a Carajás em Setembro deste ano.




Chegaram os carros. Eram 3 S10 que nos levariam ao alojamento. Essa hora foi um tanto quanto tensa, pois achávamos que era perto, mas o lugar não chegava nunca. Só para piorar, havia muita neblina e mal enxergávamos 100 m adiante. Após umas 3 horas de viagem a 50 Km/h tivemos que parar pois havia uma arvore grande caída na estrada. Os dois caras que tiraram a arvore da estrada, eu preciso dizer, eram Phodas. Eles cortaram uma arvore imensa, que deveria ter uns 80 cm de DAP (Diâmetro a Altura do Peito) e recém caída (ou seja verde e dura pacas) no machado, na raça meeesmo. Fiquei de cara.
Como era de se esperar, levaram em torno de 30/40 min para, de fato, partirem o tronco. Em seguida, amarram uma corda à L200 deles e arrastarem o que sobrou da arvore no meio do caminho. (Vou ficar devendo a foto desse perrengue por que a unica pessoa que tirou ainda não me mandou essa e nem as outras fotos que tirei na máquina dela.)




Seguimos viagem e só após mais 2 horas é que chegamos ao alojamento.  O nosso alojamento era em plena selva Amazônica situado a nada mais, nada menos, que 70Km da cidade mais próxima. Para onde olhava só via neblina e selva. 




Confesso que não era nada do que eu esperava, era tudo feito de alvenaria coberto por mosquiteiros que impediam a passagem dos mosquitos.Apesar da simplicidade do alojamento, a comida era uma delicia e todos eram muito simpáticos. 




A luz era provida por um gerador que funcionava das 05:00 da manhã até as 00:00, entre esse horário era um breu só. A água era bombeada de uma lagoa (que na verdade é uma dolina) que ficava próxima ao acampamento (foto abaixo).  Só tinha um chuveiro com água quente (o do meu quarto, graças a Deus) e como estava bastante frio, acabamos revezando o banho.  Como fiquei no quarto com mais 2 colegas, tivemos que organizar as malas e os vários equipamentos no espaço pequeno do quarto, mas foi tranqüilo.


O ponto onde o estudo foi feito ficava a 12Km do alojamento, foi uma bela caminhada de volta no primeiro dia. Isso sem contar que nos outros dias, o carro nos deixava a 2km do local onde era feito o estudo. Era uma caminhada diária de 4Km em uma mata mais fechada que a fronteira de Israel com muitos espinhos, abelhas e carrapatos. Vcs precisavam me ver manipulando o facão, que no 1° dia tava cego (só pra ajudar a criatura), zero habilidade rsrsrs, mas depois foi melhorando. Como não tínhamos tempo para voltar ao alojamento para almoçar levávamos frutas, barrinhas de cereal, bolo e muita água. 


Passamos alguns apertos pois com tanta neblina e mata, os GPS não pegava direito então nos perdemos todos os dias rsrsrs. Nunca fazíamos o mesmo caminho, nem para chegar ao ponto, nem para chegar ao local de resgate. Além disso acabávamos dando muita volta na mata pois algumas partes era impossível passar. Nos deparamos com vários abismos que separavam a vegetação de campo rupestre da floresta propriamente dita (veja a foto abaixo, muito didática por sinal). 


Como haviam algumas cavernas na área fomos avaliá-las...pra quê...entrei numa que tinha até uma drenagem de guano (coco de morcego). Exageros a parte, guano é muito tóxico e realmente havia muiito no lugar, tanto que até parecia uma cascata. Mas valeu a pena, era uma cavidade linda que estava ao lado de mais duas, tão belas quanto.



As outras que entramos valeram a caminhada, que pra variar, foi longa pracaramba. Belas cavernas ferríferas que ficavam nas beradas de penhascos e quebras de canga de mais de 20 metros de altura. 




De bicho vimos muitas araras, cutia e maritacas de todo jeito, ouvia ao longe os Barbados gritando, mas infelizmente, assim como as onças, não vi nenhum.  Como não podia deixar de ser, tive que dar uma procurada pela herpetofauna (anfíbios e répteis). Vi muitos anfíbios, grandes e pequenos e vi alguns calangos também, mas nenhuma serpente ou iguana. 




No último dia de campo fez muito sol e com tanta caminhada de blusa grossa, de manga comprida, calça, peneira, luva e mochila pesada cheguei ao alojamento literalmente derretendo. Resultado?! Fomos nadar na dolina do acampamento. A água estava uma delícia e o pôr do sol não podia ser mais bonito. Quando penso que não, não sai um da água gritando - JACARÉÉÉÉÉÉ
E num é que tinha um jacaré nadando pertinho da gente. Passado o susto inicial percebemos que era um jacaré do papo amarelo, que não passava de 1m de cumprimento. Ai né, lógico que voltamos para dentro d'água hehehehe.  




Bom, na verdade queria compartilhar essa experiência com vcs, primeiro por que foi do ca*#%@, segundo por que acho que é bem essa a realidade que vamos encontrar em algumas delegacias do norte. Inclusive, sei de uma que é muito parecida e ainda fica bem na fronteira com a Bolívia. Só para piorar um pouco, no caso da PF, quando estivermos lá não estaremos procurando pererecas, medindo arvores, entrado em cavernas ou analisando solo. Vamos estar defendendo a fronteira ou perseguindo bandidos. Portanto, se algo acima te desagradou ou afligiu, lembre-se o concurso é pra policia.


Bjos! 

5 comentários:

  1. HAUshsuhaushuahsuahsuhaus... Muito bom, Mari!
    Que bom que curtiu a viagem. Deve ter sido muito maneiro mesmo!

    Ótimo relato!

    Beijão

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  2. Ahá!
    Ia bem dizer isso - concurso é pra Polícia!
    Mas te falo uma coisa - vc é bem guerreira!
    Eu só aceito viver tudo isso com uma condição - ser Polícia Federal. Em outros casos acho que fico por aqui mesmo... rs

    Mas gostei desse Diário de Bordo!
    E tem coisas que dinheiro nenhum paga.
    Viver isso deve ser uma dessas coisas.

    Experiências pra gente contar aos netos.
    (:

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  3. Ei Edu. Foi mto legal mesmo, adorei.
    Um dia a hora chega rsrsrs!

    Bjo

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  4. Que isso Lê. Guerreira nada, adorei ter ido. Claro que se fosse pra viver 3 anos assim seria bem diferente, mas uma coisa de cada vez rsrsrs.

    Experiências mesmo, o que mais levamos dessa vida se não elas?

    Bjos!

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  5. Quequeéisso, gente!!!

    hehehehehehehehe

    Mari, minha linda...
    Preste muita atenção no que eu vou te dizer. Esse é o tipo de situação que o teu trabalho te proporcionou. Uma oportunidade, uma porta que o teu trabalho abriu, certo??? Pois é... muitas outras virão na polícia. Lugares ou situações que você viverá porque irá na condição de policial. Vide as federais ao lado do carro da presidente Dilma... É bem por aí...

    : )

    Beijo e parabéns por esse momento tão especial e importante na tua carreira de bióloga.

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