01 novembro 2010

Casos de Policia - Para descontrair


Observação 1: esta história se passa no interior de uma delegacia que fica numa cidade litorânea. Os personagens são fictícios, a fim de que suas identidades/intimidades sejam preservadas.

Quinta-feira, 12.06.03, às 18:00h, o Delegado Chefe, afoito, adentra à Secretaria, que fica contígua ao seu gabinete. Como era dia de prática esportiva não havia praticamente ninguém na Delegacia, todos tinham debandado. O Delegado telefonou ao chefe do S.O. e solicitou sua presença naquele núcleo policial, com urgência, uma vez que surgiu uma ocorrência no porto, circunscrição daquela Delegacia.

Na Secretaria se encontrava um policial que é meio Agente, meio Escrivão (no fim não é porra nenhuma), agente NINGUEMVÊ, o qual prontamente se apresentou ao Delegado para participar daquela operação. Logo chegou o chefe do S.O., agente CICERONE, o qual telefonou para o agente SNYP(homônimo daquele ator de Holywood protagonista do filme 57.º passageiro, entre outros), determinando sua vinda imediatamente.

Assim, os três agentes,  CICERONE, NINGUEMVÊ e SNYP, dirigiram-se até o porto. Chegando nesse local, o agente SNYP (o onipotente, onipresente e onisciente) num impulso já estava no costado do navio, enquanto os agentes CICERONE e NINGUEMVÊ transpunham, com dificuldades, o terceiro degrau da escada dessa embarcação (são mais de cinquenta degraus). O Agente SNYP já pôs seu fluente inglês para funcionar, expressando-se assim: "Plis Capitan, may name is SNYP" e apontando para os demais, verberou: "may name is CICERONE e my name is NINGUEMVÊ". Começou bem a investigação. Os agentes CICERONE e NINGUEMVÊ ficaram ruborizados diante daquele vexame. Vamos adiante, a estória tem que continuar. O agente SNYP abriu uma bolsa, retirou sua filmadora e começo a registrar tudo e todos, bem como narrava, expressando-se ora em português, ora em inglês, ora em espanhol, ora em javanês, ora sei lá que língua. Para quem não sabe, o agente SNYP é troglodita, digo, polidiota, perdão,  poliglota.

De repente o agente SNYP saca o seu celular e telefona para o agente X (aquele que se preparou mais de dez vezes para casar, mas na hora do "pega prá capar" cai fora) e ordena que venha imediatamente até o navio, juntamente com seu companheiro, Agente Y (aquele cujo nome é semelhante ao planeta, cuja órbita fica entre Mercúrio e a Terra, bem como, segundo a mitologia Grega, é deusa da formosura/amor).

Estava formado o imbróglio. Explico: o agente CICERONE, que é o responsável pelo S.O. havia determinado para os agentes X e Y que permanecessem na Delegacia. Iniciou-se um pequeno/grande entrevero entre SNYP e CICERONE, logo superado.

Da diligência em comento, resultou na prisão de um filipino e apreensões de cocaína, dinheiro (euros e dólares). Os euros estavam ocultos no interior de uma caixa de bombons deliciosos, sob às guloseimas, cuja caixa contendo a pasta alimentar feita de cacau (chocolate) também fora apreendida, encaminhando-os à Delegacia para as formalidades de praxe.

Por volta das 20 horas os policiais estavam famintos. O agente SNYP  teve uma ideia esdrúxula. Não a expressou, guardou-a para si. Infelizmente a pôs em prática e não deu outra. Aproximou-se da caixa, revirou os bombons, segurou um e disse: "é de banana, esse eu gosto". Desembrulhou-o e jogou goela abaixo. Foi inconsequente, ou seja, essa caixa de bombom fora apreendida juntamente com a substância estupefaciente (entorpecente).

Ato contínuo, os agentes SNYP e NINGUEMVÊ se dirigiram ao porto para buscar um vigia para prestar declarações. Durante o trajeto o agente NINGUEMVÊ alertou que o bombom poderia conter cocaína ou algum veneno, por isso, jamais deveria tê-lo comido. Ao chegar nesse local, após estacionar a viatura, em dado momento o agente SNYP  postou-se cabisbaixo, chamou o agente NINGUEMVÊ e disse: "Onde tem água?" ouvindo como resposta: "aí no mar, do nosso lado". Ele esbravejou: "água para beber, quero água". Já em seguida levou as duas mãos à jugular (pescoço) e começou a respirar com dificuldade, quando grasnou: "me leva para o hospital urgente, o bombom tá me fazendo mal". Imediatamente o agente NINGUEMVÊ, escolado, raposa velha, foi até Delegado "carçudo" da co-irmã, jogou o agente SNYP ou SPRAIT na viatura e em menos de três minutos já estavam no nosocômio. Com a ajuda de alguns enfermeiros retiraram o agente SNYP da viatura e o puseram em uma maca, desfalecido, e encaminharam-no a uma  sala de atendimento. O agente NINGUEMVÊ retornou à viatura, que se encontrava na entrada do hospital, distância considerável da sala em que o paciente em epígrafe estava sendo atendido. Apesar da distância, foi possível ouvir os urros/rugidos do agente SNYP, acordando os demais pacientes. Os grunhidos do agente SNYP foi no momento em que destripava o mico. Os pacientes que estavam aguardando atendimento perguntaram para o agente NINGUEMVÊ: "o que está acontecendo com ele?", ouvindo como resposta desse policial: "ele achou um bombom no lixo e o comeu, certamente estava estragado". Ora, o agente NINGUEMVÊ não poderia falar a verdade, poderia? 

A sessão de escândalo perdurou por uns quinze minutos, após voltou o silêncio inicial. Em dado momento uma enfermeira chamou o agente NINGUEMVÊ para acompanhá-la até a sala onde se encontrava o agente SNYP. Pensou nesse momento: "será que entrou em óbito". Ao chegar na sala observou que o agente SNYP estava sentado em um banquinho, segurando uma lata de lixo nas mãos, bem próxima de sua cavidade pela qual ingere alimentos (boca). Cabelos desgrenhados, olhos marejados (chorava como uma criança) e jogava perdigotos para todo lado. A lata de lixo estava cheia de dejetos lançados pelo agente SNYP . Cena horripilante.

Ao avistar o agente NINGUEMVÊ, rosnou: "NINGEMVÊ, já tô bom" e com o dedo indicador em riste, oscilando de um lado para outro, grasnou: "não fale nada na delegacia, tá bom?" ouvindo como resposta: "Fique tranquilo, nada falarei, minha boca é um túmulo". Ocorre que no momento em que chegaram no nosocômio, imediatamente o agente NINGUEMVÊ telefonou para o plantonista, agente JUNHO,  e relatou os fatos, solicitando que repassasse aos demais uma vez que poderia necessitar de ajuda, bem como alertou para que os avisasse para que não comessem aqueles chocolates apreendidos. Na saída do nosocômio o agente SNYP falou para o médico: "doutor, já imaginou eu morrer de overdose, nem fumar eu fumo".

Ao retornarem  à Delegacia, o agente SNYP imediatamente se dirigiu até a caixa de bombom apreendida, vasculhou a mesma, e, ao encontrar um bombom de banana, similar àquele que havia deglutido, quebrou-o, colocou contra a luz, cheirou-o e balbuciou: "vou falar pro Doutor para fazer perícia nesses bombons".

O agente NINGUEMVÊ foi cercado pelos demais policiais, ávidos que estavam para saber o que havia acontecido com o energúmeno do agente SNYP. Ao saberem com fidelidade e riqueza de detalhes sobre o incidente, a delegacia parou (força de expressão). Até a lavratura do flagrante foi interrompida. Era uma gargalhada geral. Ninguém poderia prever uma situação daquela, diferente e inaudita. Só o incauto do agente SNYP poderia ser o protagonista de tal situação.

Ao perceber a burrada que fez e, diante das gozações dos colegas, fechou-se em si. Não mais grasnou, não grunhiu e calou-se. Em dado momento o agente X (aquele que promete casamento, mas não o consuma), ficou preocupado com a ausência do agente SNYP e começou a procurá-lo. Deparou com o mesmo fechado em outra sala, aquela do agente que fala pouco, ouve bastante, fuma e toma coca-cola o dia todo. Nesse local o agente SNYP, segundo a narrativa do agente X-casamenteiro, estava cabisbaixo e circunspecto. Logo passou e o agente SNYP voltou ao normal.

Ato contínuo, foi solicitado para os agentes SNYP  e NINGUEMVÊ para que trouxessem o preso da cela para ser ouvido. Ao chegar no ergástulo (xadrez) o agente SNYP abriu o cadeado e, novamente grunhiu, agora em inglês: "plis" chamando o detido. Quando este se aproximou, o agente SNYP continuou: "you spek a verrrdade, non...." momento em que parou, pensou e disse para o preso: "espera um pouco aí" (detalhe, o preso só entendia em inglês). Em seguida o agente SNYP perguntou ao agente NINGUEMVÊ: "como é mentira em inglês" ouvindo como resposta: "não sei". Em seguida pensou, refletiu e concluiu: "já sei" e se dirigiu ao preso dizendo: "plis, you spek a verrrdade, non mentiura".

O agente NINGUEMVÊ não se conteve e, novamente, relatou esses fatos aos demais. Aí foi o "fim da picada". Novamente a Delegacia entrou em polvorosa com o acesso de risos.

Conclusão: por volta das três horas da madrugada, depois do término do flagrante, todos estavam na cozinha comendo pizza fria com coca-cola e "se matando de rir" das trapalhadas propiciadas pelo agente SNYP.

Moral da estória: se existe algum herói nessa história, indubitavelmente é o agente ninguemvê, que, num ato de bravura, salvou a vida de um colega que estava na iminência de partir para outra dimensão por overdose, ao ingerir um chocolate injetado com cocaína.

Observação 2: alguma semelhança com personagens ou fatos da vida real, é mera coincidência.

*Valdomiro Nenevê é Agente de Polícia Federal, bacharel em direito, lotado na DELEMIG/SR/DPF/PR. Está há 11 anos na PF e esteve por 11 anos na Polícia Civil.
Fonte: Agência FENAPEF

Um comentário:

  1. Haha este causo foi hilário hein,rachei de rir imaginando as cenas ds agentes. Certeza que os caras devem presenciar cada coisa que acontece que ninguém bota fé.

    Muito bom.

    Abraço

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