15 agosto 2010

Sob o olhar dos homens de Preto

Marina, Serra, Dilma e Eymael contam com a escolta de policiais federais. De forma discreta, agentes acompanham os candidatos dia e noite
Eles estão sempre perto dos candidatos, participam de passeatas, carreatas e de comícios, mas não são políticos nem podem fazer manifestações do gênero. Com uma postura discreta, carros descaracterizados e sempre atentos. É assim que trabalham os agentes da Polícia Federal que dia e noite fazem a segurança dos principais presidenciáveis, conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O grupo varia de acordo com o candidato e os locais por onde ele anda. Os homens de preto, como são chamados dentro da cúpula de algumas campanhas, são recrutados pelo perfil, ou escolhidos pelo próprio político.

Antes do início oficial das campanhas, a Polícia Federal faz um levantamento para definir a forma de segurança dos candidatos. Em seguida, realiza o planejamento tático. “Nada é feito sem que haja um plano previamente traçado”, observa um delegado que chefiou a segurança de um candidato. Nas eleições de 2006, por exemplo, havia uma grande preocupação da PF com o então candidato a presidente, Geraldo Alckmin (PSDB), que hoje concorre ao governo de São Paulo. O temor era em relação a uma facção criminosa que atua nos presídios paulistas e agiu violentamente contra policiais, um ano antes das eleições. Não foram registrados problemas durante a campanha do tucano.

O número de policiais que fazem a escolta dos candidatos pode variar, dependendo da importância do político. Apesar de a PF não revelar o efetivo que vem usando, os candidatos José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) são os que têm o maior número de agentes. Além deles, até a semana passada, apenas José Maria Eymael (PSDC) havia requerido a segurança. O candidato tucano, apesar de ter um grupo de policiais à sua disposição na superintendência da PF em São Paulo, só pediu a escolta depois que o diretor-geral da corporação, Luiz Fernando Corrêa, ligou para os coordenadores de campanha, alertando sobre a segurança.

Comandado por um delegado, o grupo de agentes vai a todos os lugares, sempre colado aos candidatos. Há também os que fazem levantamentos prévios, inclusive em viagens. O chefe da escolta segue no mesmo veículo ou avião do presidenciável, enquanto que os demais seguem por outros meios de transporte. O acompanhamento é feito em carros descaracterizados, que são usados até mesmo em manifestações públicas do presidenciável. “Não fica bem aparecermos de carros oficiais em uma passeata ou carreata. Tudo tem que ser feito de forma discreta”, explica o policial.

Uma resolução do TSE determina que todos os candidatos à Presidência da República têm direito à escolta da Polícia Federal, que é feita pela Coordenação de Defesa Institucional. Para recusar, o político tem que assinar um termo, como fez a ex-senadora Heloísa Helena (PSol), em 2006. Todas as despesas — deslocamentos e diárias dos agentes — são custeadas pela União. A escolta não se limita às campanhas, segundo o delegado. “Temos que manter a segurança dos candidatos até a homologação das eleições pelo TSE”, explica o policial.

2 comentários:

  1. Um dia ouvi uma conversa de dois atendentes de uma loja daquelas que ficam no Lobby dos hotéis, eu estava do lado de fora da loja e eles não viram que eu estava ouvindo. O assunto era o ar de mistério que têm os seguranças de dignitários.
    : )

    Esse "ar de mistério" ficou bem salientado nesse texto.

    Beijos, lindona.

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  2. Oi querida. Que bom te ver por aqui.
    Acho no mínimo interessante esse tipo de trabalho. Um dia, estava em uma reunião em um hotel, no hall de entrada, ao telefone, estava um homem alto e forte de terno preto e óculos escuro. Apenas olhei para ele e comentei com minha amiga - "Olha meu povo ai. Devem estar fazendo a segurança de algum dignitário."
    Mais que derrepente, o homem ao telefone se virou e me olhou. A cara dele de espanto foi no mínimo divertida.
    Acho que ele não esperava ser identificado, mas gostou do status.
    O engraçado é que eu falei de forma tão discreta,que ele obviamente não ouviu toda a frase. A palavra Diginitário deve ter ficado clara e ele soube na hora que eu sabia que era ele.

    Foi interessante.

    Bjos

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