26 julho 2010

Operação Araguaia


A Polícia Federal desencadeiou nesta quinta-feira (22/07/10) em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais a "Operação Araguaia", com o objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de cocaína e maconha.
Cerca de 100 policiais federais cumpriram 25 mandados de prisão e 20 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Juízo da 5ª Vara Federal do Mato Grosso, solicitados pela Polícia Federal. A investigação, realizada pela Delegacia de Polícia Federal em Barra do Garças, foi iniciada em junho de 2009 e descobriu um esquema de tráfico de pasta-base de cocaína e de maconha em larga escala.
As substâncias entorpecentes eram fornecidas à organização criminosa por narcotraficantes bolivianos e paraguaios, que traziam a droga para o território nacional com a utilização de aeronaves e caminhões. Uma vez no Brasil, as drogas eram redistribuídas com a utilização de caminhões e veículos de passeio para traficantes de Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais e do Distrito Federal, onde eram comercializadas.
A última fase da ação era a "lavagem de dinheiro", a fim de dissimular a origem e movimentação e dificultar o rastreio dos lucros obtidos com a comercialização pelos órgãos de fiscalização.
Os trabalhos que resultaram na operação "Araguaia" resultaram em 7 prisões em flagrante, na apreensão de 421 kg de cocaína e 1.995 kg de maconha, 8 veículos, uma aeronave e de valores em moedas estrangeiras, o que evidencia o poder de lesividade do grupo.
Segundo a Polícia, mesmo após as 7 prisões, os integrantes da quadrilha continuaram agindo, inclusive de dentro da prisão. Além das prisões e buscas, a Justiça Federal decretou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o seqüestro e indisponibilidade dos seus bens, direitos e valores.
Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico, com penas que podem ultrapassar 25 anos de reclusão. Além disso, alguns dos envolvidos responderão por lavagem de dinheiro, cuja pena pode alcançar 10 anos de reclusão.
O nome operação "Araguaia" faz alusão à região escolhida como base operacional pelos integrantes da organização criminosa. Após interrogados, os presos serão encaminhados para a Penitenciária Central do Estado em Cuiabá, onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.
 INFO DA MARI:
Segundo o relatório da ONU sobre as Drogas no Mundo (2009) em números absolutos, o mercado brasileiro é o que mais consome a droga no continente, com cerca de 890 mil usuários, o equivalente a 0,7% da população entre 12 e 65 anos, segundo dados dos anos 2006/2007. Em 2001, os usuários de cocaína representavam 0,4% da população. 
Em 2007, a América do Sul contribuiu com 45% do total mundial de apreensões da droga, o equivalente a 323 toneladas. Mais de 60% desse número veio da Colômbia. No Brasil, foram apreendidas 17 toneladas de cocaína, o que coloca o país em 10º no ranking mundial. No ano anterior, o Brasil ocupava a 12ª posição, com pouco mais de 14 toneladas apreendidas.

De acordo com a Polícia Federal, a apreensão de cocaína no país aumentou entre 2007 e 2008, passando de 18,5 toneladas para 20 toneladas.

O relatório da ONU destaca, no entanto, uma queda na produção de cocaína no mundo todo. Em 2004, a produção superou as 1.000 toneladas, número que caiu para 845 toneladas no último levantamento. A redução de 28% na produção da droga na Colômbia contribuiu para a diminuição global, de acordo com o relatório.

NOTA DA MARI:
O rendimento da pasta-base para a cocaína é de 1/10, ou seja, 1 Kg de pasta-base rende 10 Kg de cocaína. Isso que dizer que, se em 1 semana 4 “Barrigueiros” ou “Mulas” atravessarem a fronteira com 13 kg de pasta-base cada um, em uma semana entraram no Brasil 520 kg de cocaína (dados reais). Isso é o rendimento médio de um ponto de distribuição de pequeno porte.
As denuncias também, nem sempre ajudam. Muitas vezes as denuncias são feitas pelos próprios traficantes. Eles usam uma isca, que leva uma carga pequena, para distrair a atenção da policia, enviando-a para um pequeno foco. Enquanto isso, outra carga muito maior é contrabandeada para dentro do pais, longe da atenção da policia.
A meu ver, a solução é acabar com o consumidor final e o atravessador. O consumo pode ser combatido com campanhas constantes e de conteúdo chocante, à exemplo do filme Tropa de Elite que foi o primeiro a expor as reais conseqüências do tráfico à sociedade. No caso do atravessador, investir em infra-estrutura e condições mínimas de sustento para as milhares de famílias que vivem as fronteiras e prestam serviço de Mula, barrigueiro, bicicleteiro e etc. Muito não gostam e não querem fazer esse tipo de trabalho, mas como não há outra alternativa contra a fome, o fazem, arriscando suas próprias vidas.
A reestruturação do país é fundamental para acabar com as drogas, mas acima de tudo, está na hora do pais compreender o prejuízo que as drogas causam à sociedade. O baseado de cada dia é pago com sangue inocente e isso tem que estar estampado na novela das 8 e nos out-doors de campanhas governamentais. No entanto, infelizmente não é o que acontece.
Fica então a pergunta, quem ganha com isso?

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