01 julho 2010

E por falar em Tráfico...

Foto 1: Campanha contra o tráfico sexual.

Um relatório divulgado ontem (30/06/10) pelo Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC) coloca o Brasil como um dos protagonistas de um flagelo mundial. É cada vez maior o número de mulheres e transexuais brasileiros enviados, sobretudo a países da Europa Ocidental para servirem de escravos sexuais.

Os principais destinos são países como Itália, França, Alemanha, Áustria, Suíça, Holanda e Bélgica. Em Portugal, as vítimas brasileiras já são 40%, segundo o governo local. Na Espanha, o crescimento é espantoso: juntamente com as paraguaias, elas eram 15% do total em 2000, percentual que saltou para 35% em 2006.

O diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa, divulgou o relatório na Espanha para coincidir com o lançamento da campanha internacional Coração Azul de combate ao tráfico de pessoas.

“Os europeus acreditam que a escravidão foi abolida há centenas de anos. Mas olhem em volta – os escravos estão em nosso entorno. Precisamos fazer mais para reduzir a demanda por produtos feitos por escravos e por meio da exploração”, disse Costa.

A região dos Bálcãs é apontada no documento como a principal origem das mulheres traficadas para a Europa Ocidental (32% do total). Os países do ex-bloco soviético (19%) vêm em seguida, mas foi registrado um aumento no número de mulheres brasileiras traficadas (as sul-americanas são 13% do total).

De acordo com a organização, a maioria das vítimas brasileiras de tráfico sexual para a Europa são originárias de regiões pobres no norte do país, principalmente nos estados do Amazonas, do Pará, de Roraima e do Amapá. As vítimas sul-americanas (principalmente do Brasil e do Paraguai) são traficadas principalmente pa ra Espanha, Itália, Portugal, França, Holanda, Alemanha, Áustria e Suíça.

Dados do governo de Portugal, divulgados na semana passada, mostram que as brasileiras são 40% das mulheres traficadas no país. Na Espanha, segundo o levantamento da ONU, o número de vítimas brasileiras e paraguaias ultrapassou desde 2003 o de vítimas colombianas, antes majoritárias no país.

A agência da ONU estima que o mercado tenha uma renovação em média a cada dois anos, levando ao número de 70 mil novas vítimas a cada ano para substituir as que conseguem deixar a condição.

O documento das Nações Unidas, porém, questiona alguns números de pesquisas sobre o tema. O documento cita uma estimativa de 700 mil mulheres trabalhando como prostitutas na Europa Ocidental (incluindo as que trabalham sem coerção).

Nas contas das Nações Unidas, há 140 mil pessoas obrigadas a trabalhar no mercado do sexo na Europa Ocidental. O cálculo é feito levando em conta o número de vítimas identificadas em 2006 (7,3 mil). A estimativa é de que, para cada caso confirmado de exploração, outros 20 escapem às autoridades.

Nas contas da ONU, anualmente as mulheres e transexuais recrutados fazem cerca de 50 milhões de programas, cujo custo médio é de 50, um mercado que movimenta 2,5 bilhões (cerca de R$5,47 bilhões). O relatório diz que 70 mil pessoas são "exportadas" para a região por ano. A estimativa é de que haja uma renovação a cada dois anos.

Nos últimos anos, vem crescendo o percentual de sul-americanas, que já representam 13%. Em alguns países, há uma tendência de substituição de colombianas por brasileiras e paraguaias. As africanas são 5%, ao passo que as provenientes da Ásia Oriental, 3%.

A tendência é de piora do quadro de exploração, conforme revelam as estatísticas mais recentes. "O número de vítimas detectadas pelas autoridades na Europa aumentou 20% entre 2005 e 2006", explica o documento.

Os dados foram divulgados na Espanha e coincidiram com a apresentação de campanha internacional para combater o problema. Para a ONU, os dados mostram uma contradição: embora os europeus acreditem que a escravidão tenha sido abolida há centenas de anos, ela subsiste.

Fonte: O Globo

Info da Mari:

O tráfico de pessoas é um fenômeno complexo e multidimensional. Atualmente, esse crime se confunde com outras práticas criminosas e de violações aos direitos humanos e não serve mais apenas à exploração de mão-de-obra escrava. Alimenta também redes internacionais de exploração sexual comercial, muitas vezes, ligadas a roteiros de turismo sexual, e quadrilhas transnacionais especializadas em retirada de órgãos.

A definição aceita internacionalmente para tráfico de pessoas encontra-se no Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial de Mulheres e Crianças (Palermo, 2000), instrumento já ratificado pelo governo brasileiro. Segundo o referido Protocolo, a expressão tráfico de pessoas significa:

“o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração.”

As vítimas podem ser crianças, mulheres ou bebês, tudo depende se a finalidade é adoção, exploração sexual e/ou pedofilia ou a venda de órgãos. As maiores vítimas são, sem dúvida, as mulheres entre 12 e 25 anos.

Estimativas da OIT assinalam que das 140 milhões de vítimas apontadas pela ONU 43% sejam subjugadas para exploração sexual e 32% para exploração econômica.

É importante apontar que, embora muitos casos referentes ao tráfico de pessoas envolvam vítimas brasileiras, o Brasil também tem sido o destino de muitas mulheres e meninas de países da América do Sul que são traficadas para fins de exploração sexual comercial, bem como de homens e meninos que são trazidos ao país para a exploração de trabalho escravo.

É uma das atividades criminosas mais rentáveis do crime organizado, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da ONU, com uma movimentação financeira estimada em US$ 9 bilhões de dólares por ano e na Europa, gera receitas anuais na ordem dos 2,5 bilhões de euros (RS$ 5,5 bilhões).

A droga pode ser vendida apenas uma vez para cada usuário, a escrava sexual, por sua vez, pode ser vendida várias vezes para vários usuários diferentes por dia.

Campanhas têm sido lançadas por todo o mundo para alertar as vítimas que, em geral são de comunidades de origem pobre do Brasil.

Os principais golpes para capturar vítimas da escravidão sexual ou tráfico de órgãos são:

1) 1) Um homem ou mulher se diz ser de uma agência de modelos ou de babás e recruta a vitima para trabalhar no exterior com todas as despesas pagas. Depois de aceitar o convite, são produzidos documentos e passaporte falso para a vítima que só percebe o que aconteceu quando chega ao local de destino.

2) 2) Um homem muito belo e rico se apresenta e se diz interessado na vítima. Muito respeitosamente a convida para sair. Após algum tempo “namorando” ele a convida para fazer uma viagem para o exterior, onde a entrega nas mãos do seu gigolô que a manterá em cativeiro por tempo indeterminado. Esse golpe, em geral, é aplicado às mães solteiras ou mulheres entre adolescência e os 25 anos.

3) 3) Meninas e/ou meninos adolescentes desacompanhados, são alvos fáceis nos aeroportos internacionais. Esses são convidados a dividir o taxi ou para sair de noite e assim são levados e aprisionados ou mortos.

Para se ter uma idéia do quanto esse mercado é lucrativo ai vai uma tabela de preços do tráfico de órgãos:

Rim - € 102.172,00, Fígado - € 150.250,00, Pulmão - € 150.235,00, Córnea - € 87.146,00, Medula óssea - € 166.245,00, Coração - € 150.253,00, Pâncreas - € 144.242,00, Artérias - € 10.217,00.

Ainda há poucos dados disponíveis que permitam uma aproximação real da dimensão do problema no Brasil. Um dos estudos mais importantes para a compreensão desse fenômeno no Brasil foi a Pesquisa sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual (PESTRAF), realizada em 2002. A PESTRAF mapeou 241 rotas de tráfico interno e internacional de crianças, adolescentes e mulheres brasileiras, indicando a gravidade do problema no país. A PESTRAF permanece ainda como a única pesquisa de abrangência nacional sobre o tema.

Foto 2: Campanha contra o tráfico humano no Brasil

Nota da Mari:

Ainda mais perverso que o tráfico de animas está o tráfico de humanos. Ódio é pouco par ao que sinto em relação a esses seres não humanos, sim por que são alguma coisa qualquer, mas humanos não são, que submetem mulheres e crianças a uma vida de sofrimento e dor.

Existem muito filmes que retratam o tema de forma verossímil, dentre eles indico “Tráfico Humano (Human Trafficking)de Christian Duguay com a Mira Sorvino e Donald Sutherland. Excelente com imagens bem chocantes da realidade desses crimes.

2 comentários:

  1. A indústria da exploraçaõ sexual,parece que só perde para a indústria bélica em valores.

    Infelizmente mulheres e meninas de países em desenvolvimento como o Brasil,em busca de uma "vida melhor",se deixam levar por falsas propostas. O nordeste do Brasil é um "oásis" para esse criminosos.

    O que me assustou foi este comércio ilegal de órgãos e seus valores altíssimos. Este tipo de campanha que tu postou tem que ser mais divulgado nas mídias,tem que ficar mais esclarecido este tema.

    Grande post este seu.

    Abraço Perita

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  2. Oi lá Bruno. Pois é também acho que deveriam dar mais ênfase a esse tipo de campanha. Vejo muita divulgação nos aeroportos, mas nada fora deles.

    Espero que os desumanos tenham o que merecem quando encontrarem a justiça.

    Abraços!

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